quinta-feira, 11 de abril de 2013

TRATAMENTO INVOLUNTÁRIO FUNCIONA?





Acredita-se que o sucesso no tratamento de dependência química baseia-se na aceitação do adicto em procurar ajuda. Nem sempre isto acontece. A própria família, em muitos casos, reluta em admitir que seu ente querido tornou-se dependente de drogas.

É quando os familiares percebem que o único caminho a seguir é o encaminhamento para um processo especializado de recuperação – e é aí que começa uma nova batalha: quando o adicto se recusa a receber ajuda.

Existe a possibilidade da internação involuntária e ela somente pode ser realizada mediante alguns aspectos. O primeiro é a comprovação de que o vício está de fato afetando as condições psíquicas de tomada de decisão pelo dependente. Ele já não consegue escolher parar de usar drogas, não consegue imaginar sua vida sem as drogas, perdeu a capacidade de decisão e de pedir ajuda. Não quer realmente parar de utilizar drogas e é possível até que diga que “quer morrer usando drogas”. O segundo é que somente um membro cosanguíneo do dependente pode solicitar a internação involuntária (por exemplo: a mãe, pai, irmãos) – uma companheira, namorada ou esposa já não poderia solicitar este tipo de internação, segundo o que está determinado pela lei.

A internação involuntária deve ser feita por uma equipe especializada e começa no delicado trabalho de remoção do paciente. É recomendável que a família esteja ciente e em concordância com as práticas da clínica, em especial no que tange à segurança e integridade física e mental do paciente.

Na ocorrência da remoção do paciente para a clínica, o trabalho em algumas situações precisa ser realizado com a presença de psiquiatra e uma equipe treinada para realizar o procedimento com total discrição de modo a preservar a integridade física e moral do paciente.

O tratamento involuntário pode levar mais tempo do que a internação voluntária. Isso porque será necessário um tempo de trabalho de conscientização de que é preciso interromper o uso de drogas e iniciar uma reeducação física e mental para a libertação do vício.

Um tratamento só tem efeito sobre um paciente quando há aderência. E, certamente, adesão é muito diferente de desejo. O simples desejo do paciente em se tratar ou não, não tem o poder de interferir na efetividade do tratamento existente para qualquer enfermidade.

Portanto, mesmo os pacientes involuntários acabam, após um certo tempo, aderindo ao tratamento e reconhecendo que “foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em suas vidas”, pois sem este tipo de intervenção não teriam tido condições de recuperação.