sexta-feira, 12 de abril de 2013


Dependência é diferente de “vício”


Primeiramente, vamos entender o que é a dependência química:
A dependência química é um estado resultante do uso habitual de drogas (ou qualquer substância química, incluindo álcool e até medicamentos), no qual existem sintomas físicos negativos de abstinência quando há interrupção abrupta e que é causada ou precipitada por um complexo de fatores genéticos, bio-farmacológicos e sociais.
A dependência química é uma doença crônica e reincidente, que envolve mudanças no cérebro que levam ao consumo compulsivo de drogas – sempre com conseqüências devastadoras. A decisão inicial de usar uma droga é voluntária, mas seu uso crônico pode precipitar mudanças cerebrais que comprometem os sistemas de recompensa, motivação e mesmo o livre-arbítrio.
Por que usamos o termo Dependência Química?
”QUÍMICA” por que se refere ao fato de que o que provoca a dependência é umasubstância química. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das chamadas “drogas ilegais”, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência química em pessoas predispostas quanto qualquer outra droga – ilegal ou não.
Existe diferença entre a dependência e o vício?
A dependência é diferente de vício. O vício é caracterizado como um mau hábito e a dependência é caracterizada por uma necessidade compulsiva em relação ao objeto da compulsão, do desejo.
Vamos explicar melhor a diferença entre vício e dependência:
Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma substância química de forma contínua (sempre) ou periódica (freqüentemente) para obter prazer. Para entender a dependência, o objeto de compulsão não é tão importante. Uma pessoa pode ser dependente do trabalho, do jogo ou das compras, das drogas, da comida, do álcool, de sexo – qualquer coisa feita de forma freqüente e compulsiva, da qual a pessoa não consegue se livrar e é absolutamente impotente perante ela.
No caso da dependência química, a pessoa é totalmente dominada pela substância, podendo passar pela SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA se privada do uso da droga ou álcool.
Vício (do latim “vitium”, que significa “falha ou defeito” ) é um hábito ou costume repetitivo adquirido que traz algum tipo de prejuízo ao viciado ou aos que com ele convivem.
Vício seria algo como um mau costume: por exemplo – roer unhas, mascar chicletes, mudar sempre os móveis de lugar, comer chocolate, pensar de forma negativa etc.
Todos nós temos algum tipo de vício, seja mais ou menos nocivos. Porém, o vício é normalmente algo ruim, pois cria padrões de comportamento, o seu oposto é a virtude.
“Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo.” Carl Gustav Jung
Para entender melhor o vício: uma pessoa que tem o hábito de fumar, não tem vício por cigarro e sim uma dependência por cigarro, pois sua falta traz fissura, nervosismo, desconforto físico e um desejo incontrolável – a pessoa não vê a hora de poder fumar novamente. Existe, no caso do cigarro, uma dependência física e psicológica – não é simplesmente um vício. Muitas vezes o fumante necessita, para abandonar o cigarro, recorrer a medicamentos, tratamentos específicos ou mesmo grupos de auto-ajuda.
Temos evidências de que os mecanismos cerebrais de dependências comportamentais, como, por exemplo, o prazer no jogo compulsivo, são similares aos produzidos por drogas. As substâncias psicoativas interferem nos mecanismos de recompensa, controlados pelo neurotransmissor dopamina.
A maioria das drogas aumenta exageradamente a produção de dopamina, o que sobrecarrega o sistema de motivação e afeta circuitos cerebrais como a memória, a tomada de decisões e a motivação. No caso do jogo compulsivo, ele interfere nos mesmos circuitos cerebrais.
Drogas que causam tanto o vício quanto a dependência química:
As drogas que mais causam dependência são as ilegais assim como alguns remédios vendidos sob prescrição médica, o álcool e a nicotina. Entre as drogas que causam dependência estão:
Estimulantes:
* Anfetaminas e meta-anfetaminas.
* Cocaína.
* Nicotina.
* Maconha.
Sedativos e hipnóticos:
* Álcool.
* Barbitúricos.
* Benzodiazepinas.
* Metaqualona.
Opiatos e analgésicos opióides:
* Morfina e codeína.
* Opiatos semi-sintéticos como heroína
* Opiatos sintéticos como fentanil
Além das citadas aqui existem várias outras substâncias que podem causar dependência que atualmente considera-se possuam valor médico e só podem ser usadas com orientação médica.
Em qualquer caso em que há dependência, o indivíduo necessita ser tratado.
Qual a perspectiva de cura através de tratamento específico?
Os tratamentos mais eficazes incluem as terapias comportamentais (além de outros recursos, por exemplo medicamentos nos casos em que há transtornos psiquiátricos). Para as dependências severas, necessitamos de um sistema de cuidados crônicos, com a consciência de que recaídas podem acontecer e devem ser rapidamente tratadas.
O importante é que haja a conscientização de a dependência requer tratamento, seja ela qual for.