quinta-feira, 16 de maio de 2013



ONU pede que Brasil estenda programas de prevenção do uso de drogas para presídios








O Relatório Anual de 2012 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), divulgado na terça-feira (5), pede que o Brasil estenda seus programas de prevenção do uso de drogas e redes de tratamento e reabilitação — que receberam investimentos consideráveis – para a população das prisões.

A missão discutiu com autoridades brasileiras o problema do crescente abuso de crack e estratégias de tratamento para o vício nessa substância, incluindo a disponibilidade de analgésicos para fins médicos, que continua a ser baixa, e a necessidade de medidas para resolver esta questão.

O documento da ONU também registra que, segundo pesquisas realizadas recentemente no país, a prevalência do consumo — o número de pessoas que declaram ter consumido cocaína nos últimos 12 meses — é de 2% entre a população adulta.

O relatório destaca que, de acordo com o Instituto Nacional de Políticas Públicas sobre Álcool e Outras Drogas e com a Universidade Federal de São Paulo, 7% da população adulta brasileira, entre 19 e 59 anos, provou maconha (cannabis) uma vez na vida. Mais de 60% dessas pessoas a consumiram com menos de 18 anos de idade.

O estudo ainda ressalta medidas do governo brasileiro para reforçar o controle das drogas e o cumprimento da lei. Em especial, a implantação de aeronaves de vigilância, scanners de contêineres e a criação de um laboratório de análise de drogas.

Apesar dos esforços, porém, o Brasil permanece como uma das principais rotas do tráfico de cocaína no mundo. A condição geográfica do país, que faz fronteira com quase todos os países da América do Sul e tem uma costa extensa, dificulta a aplicação e o fortalecimento das leis contra o tráfico de drogas.

O relatório faz um alerta mundial para as novas substâncias psicoativas conhecidas como “drogas legais” ou “designer drugs”, que ameaçam a saúde pública, como pode ser visto pelo aumento de admissões em salas de emergência e ligações para centros de toxicologia. As “drogas legais” são facilmente encontradas na Internet e sua quantidade no mercado, que já é estimada em centenas, tende a crescer de forma constante.