terça-feira, 7 de maio de 2013


O MESTRE E O DISCÍPULO





Lao Tzu: o “velho mestre” chinês foi o fundador do Taoísmo, hoje uma das maiores religiões do mundo.

Todos os dias ao amanhecer, o velho mestre se sentava embaixo de uma enorme arvore e começava a sua meditação antes que o seu discípulo chegasse. Enquanto pensava sobre as coisas simples da vida, o mestre também meditava sobre como poderia fazer com que aquele rapaz teimoso entendesse as lições ensinadas por ele. O mestre sabia que toda aquela teimosia era uma característica da juventude, mas sabia que aquele jovem em especial tinha um grande potencial.
Logo o tempo passou e às 8 horas o discípulo se apresentou. Ele fez uma reverencia ao mestre, inclinando a cabeça para frente. O mestre assentiu positivamente, e sinalizou para que o jovem assentasse. Feito isso logo veio à pergunta que o rapaz fazia todas as manhãs.
— Mestre, hoje o senhor vai me ensinar à arte da espada? — perguntou o jovem antes que o mestre pudesse iniciar suas lições filosóficas.
— Paciência é a primeira coisa que você deve aprender. — disse calmamente, mantendo os olhos fechados enquanto sentia a agitação do discípulo.
— Mas só estamos conversando a meses.
— Não posso lhe ensinar nada enquanto não aprender a ter paciência. Caso contrário você seria uma ameaça a si mesmo. — depois disto permaneceu em silencio, e mantendo a concentração em sua meditação. Cerca de uma hora depois o jovem estava completamente inquieto, ele queria aprender a arte da espada que tanto ouvira falar, e não entendia o que a paciência ou mesmo toda a filosofia que o mestre tentava lhe ensinar poderia lhe ajudar a lutar. Finalmente em um movimento brusco, acompanhado de um resmungo, se levantou e foi embora de onde estava o velho mestre.
De longe um dos veteranos observava, e depois que o rapaz deixou o local, dirigiu-se para onde o mestre estava, fez uma reverencia inclinando a cabeça para frente, esperou a resposta do mestre e em seguida assentou-se, fechando os olhos e começando a meditar. Depois de algum tempo indagou ao mestre.
— Mestre vejo que o senhor passa por isso todas as manhãs, porque não desiste deste discípulo? Para mim está claro que ele não tem as qualidades necessárias. — o mestre permaneceu em silencio durante algum tempo e finalmente disse.
— Meu caro, você não era muito diferente deste rapaz quando chegou aqui. Vocês jovens sempre pensam que as coisas precisam acontecer no tempo que desejam e se esquecem de algumas lições que precisam ser aprendidas, mesmo não fazendo sentido naquele momento. E além do mais não posso desistir tão facilmente só porque o jovem tem dificuldades em aprender algo.
— Mas o senhor já o treina há meses, e ainda sim ele não mostrou progresso algum. — disse o veterano, perplexo e impressionado com a paciência do velho mestre.
— Ele está progredindo.
— Como mestre?
— Aos poucos, caso contrário não viria aqui todas as manhãs assentar-se e ouvir as lições de um velho tolo. — disse o velho mestre com um leve sorriso.
Após ouvir aquilo o veterano se calou, pois entendera que o que o mestre dissera. Nem sempre o progresso acontece da forma que gostaríamos quando estamos ensinando algo a alguém, porém mesmo assim as lições são aprendidas mesmo que lentamente. E o veterano entendeu que nem ele e nem os outros, saberiam o que sabem se não fosse pela persistência e pela crença do velho mestre. Depois disto o veterano fechou os olhos, meditou em agradecimento, fez uma reverencia ao mestre, se levantou calmamente e dirigiu-se para sala de treinamentos. Enquanto isso o velho mestre permaneceu em assentado, de olhos fechados, meditando sobre como poderia melhorar o aprendizado de seu discípulo.