sábado, 1 de junho de 2013

Dependências e Dependentes - Quem e Porque?


Hoje sabemos que o limite entre remédio e veneno é bastante tênue. Depende não somente da dose, mas também por quem, como, para que e em que circunstância estas substâncias estão sendo usadas...

Freqüentemente, familiares e dependentes de drogas (lícitas e ilícitas) têm nos procurado com a intenção de "se livrarem" das mesmas, nitidamente responsabilizando-as pelo seu sofrimento. Nestas circunstâncias, procuramos esclarecer que a melhor maneira de resolverem os próprios problemas não é responsabilizando alguma coisa (a droga) ou alguém (pai, mãe, marido, esposa, amigos...). Não podemos culpar coisas porque estas não possuem anima, não tem vontade, vida ou atitude própria. Não podemos culpar pessoas porque somos os únicos responsáveis pelas nossas atitudes, sejam elas provocadas, sugeridas ou não por terceiros. As decisões são pessoais e as conseqüências resultantes das próprias escolhas.

O ser humano, a partir de um determinado momento da sua evolução, passou a experimentar as mais diversas substâncias que a natureza colocou a sua disposição. Em princípio estas eram de natureza vegetal, utilizadas a partir do próprio produto primário e só mais recentemente passaram a ser sintetizadas. Os usuários, com algumas destas substâncias obtiveram sensação de prazer, com outras o alívio de sofrimentos e ainda com outras a cura de doenças.

Uma questão que passa freqüentemente pelo pensamento de todo mundo, é porque motivo algumas pessoas utilizam e outras não utilizam drogas. São muitas e variáveis as razões porque as pessoas usam estas substâncias.Não existe uma afirmativa única. Acreditamos que entre os vários fatores, a curiosidade, a busca de identidade grupal, modelos familiares,... são justificativas importantes, mas não determinantes isoladamente. Pesquisas recentes evidenciam o que se denominou "determinante biológica", ou seja, certa carga de herança genética que juntamente com outros fatores favorece a aproximação, a busca, a ligação e a adaptação às drogas. Não tendo esta tendência, o indivíduo poderá ser talvez um usuário eventual, que utilizará estas substâncias por outras razões, e com o tempo abandonará o seu uso.

A maioria das pessoas, em algum momento da vida, entrará em contato com alguma substância química, ou seja, podendo ter o risco de ter afinidade ou tendência para usar drogas. Poderá fazer uso das mais comuns, principalmente das lícitas, (álcool, tabaco, anfetaminas e tranqüilizantes) e destes, só a minoria (dez por cento a trinta e cinco por cento) se torna dependente.

A minoria das pessoas faz uso continuado de drogas ilícitas. Estas, pelo fato de serem proibidas, menos aceitas socialmente e potencialmente geradoras de problemas, provocam índices maiores de dependências em seus usuários.

Em cada grupo de dez usuários de maconha, pelo menos quatro se tornam dependentes; em cada dez usuários de cocaína, pelo menos seis se tornam dependentes e em usuários de crack e heroína, nove em cada dez tem problemas de uso continuado. A Organização Mundial de Saúde aponta os mais freqüentes fatores vinculados ao aumento do risco de abuso de drogas em pessoas: - sem adequada informação sobre os efeitos danosos das drogas; - com saúde deficiente; - insatisfeitos com a qualidade de vida; - com personalidade deficientemente integrada; - com fácil acesso às drogas.

Entre os grupos de maior risco estão às crianças de rua, que estão expostas a todos os fatores acima citados.Poderíamos enumerar diversos outros fatores que estão ligados ao envolvimento com drogas, porém, preferimos resumi-los em dois principais: busca do prazer e alívio de sofrimento, os quais são objetivos comuns a todos os seres humanos.

Como orientação preventiva, os profissionais que militam na área da saúde sugerem que antes de qualquer atitude, devemos avaliar as possíveis conseqüências a curto, médio e longo prazos destas ações; que atitudes saudáveis em prol do cidadão suscetível ao uso de drogas são aquelas, cujos benefícios poderão perdurar por longo tempo; que podemos nos equivocar, pois somos humanos, mas que devemos ter a dignidade do reconhecimento e a humildade de buscar opções mais saudáveis de melhoria da qualidade de vida; que técnicas de cuidados preventivos devem ser utilizadas da forma mais incisiva, em idade escolar, pois ninguém ao nascer traz qualquer sinal tatuado que um dia poderá se tornar um dependente.