sábado, 1 de junho de 2013

Adolescência x Droga


Se por um lado o mercado das drogas está em crescimento, por outro lado está cada vez menor a faixa de idade dos adolescentes que entram nesse submundo. Para entendermos um pouco mais o porque de cada vez mais jovens estarem envolvidos em drogas, precisamos antes falar sobre as modificações que ocorrem numa fase da vida pela qual todos nós passamos: a adolescência. Uns conseguem vivê-la sem problemas significativos, porém todos a vivem (ou viveram) com conflitos.

Os conflitos da adolescência sempre existiram. É um assunto em pauta ao longo das gerações. "Os jovens rebelam-se contra a autoridade e não respeitam os mais velhos. Contradizem seus pais, cruzam as pernas e tiranizam seus mestres"; "São cheios de esperança, por não haverem sofrido muitos desenganos e se comprazem na convivência valorizando, mais que as pessoas de outras idades, a amizade e o companheirismo, já que buscam mais o amigo do que o interesse. Tudo fazem com excesso: se amam, se odeiam, se enfim, agem, o fazem com veemência". Adolescência e puberdade caminham juntas.

O conflito entre serem dependentes ou independentes. E é em meio a todos esses conflitos que a droga surge como um elemento capaz de solucioná-los. Oferece uma fuga à realidade e por alguns instantes, sob o efeito dela, se sente o todo-poderoso, "em paz", independente (pois se torna "onipotente de fato"). E é em meio a tantas mudanças, no afã de conquistar a tão sonhada independência, que se junta a grupos. E com medo de não ser aceito por eles, se submete às suas regras. A busca pela independência o leva a ser dependente das regras desse grupo e muitas vezes dependente da droga. É neste ajuntamento que ele consegue muitas vezes ser ouvido na sua "linguagem", pois para eles os pais são ultrapassados, caretas e não sabem nada da vida. Ocorre que muitas vezes a regra desse grupo é se drogar. E se em casa não houve um diálogo suficientemente capaz de envolvê-lo, ele facilmente, e fatalmente, cederá a essas regras. Vale ressaltar que se unir a grupos é extremamente saudável. Quando não o consegue é um sintoma de dificuldade na elaboração dos lutos. O que não é saudável é negar-se, se despersonalizar em função do outro.

O adolescente/jovem se sente onipotente diante da morte e não teme nenhum risco que possa correr. Crê piamente que no momento em que resolver parar com a droga, irá conseguir. Só que este mesmo jovem não conta com o poder destrutivo dessas substâncias, que atuará até mesmo na sua vontade em parar de usá-las. A linha limite entre o prazer que a droga dá e a sua dependência, é imperceptível. Quase invisível. E um simples prazer, até mesmo a nível social, pode levar a um caminho sem volta. O início é sempre inocente. Uma curiosidade..., um desejo de ser aceito..., a sensação de onipotência... O que não dá para acreditar é que um dia essa mesma droga tão prazerosa irá exercer um total domínio, e o fará totalmente controlado por ela.

Se drogas como cocaína, maconha, não são acessíveis, pelo seu alto custo financeiro, outras substâncias são utilizadas. Permanece portanto o mesmo objetivo: a busca pelo prazer imediato. É inegável que as drogas proporcionam uma sensação agradável por um período de tempo, mas este mesmo objeto de prazer é capaz de levar a um caminho sem volta - a morte. A dependência química é um problema social que fica atrás apenas do desemprego e do atendimento à saúde. Afetando a produção do mercado de trabalho de uma forma direta. Com faltas, acidentes de trabalho, baixa produtividade.

A droga promove o afastamento da família, ansiedade, perda da saúde, perda dos amigos, decadência financeira, acidentes de trabalho e no trânsito, impotência, perda do auto controle e em última instância a morte. Especialistas no assunto estão cada vez mais convencidos de que é muito melhor e mais produtivo um trabalho de prevenção às drogas, de conscientização de seus malefícios. Pois o trabalho de recuperação muitas vezes não ultrapassa o índice de 30%, em clínicas de tratamento e nos hospitais-dia é de apenas 12%. Estatisticamente está provado que a terapêutica preventiva oferece resultados mais positivos e menos onerosos do que a terapêutica curativa. Ainda continua sendo "melhor prevenir do que remediar".

Os adolescentes estão sempre em busca de sua independência e de estabelecer a sua identidade, seu lugar, encontrar seu espaço no mundo. Não se enquadram mais no grupo das crianças e nem ainda no grupo dos adultos. Ficam num estágio intermediário a procura de descobrir seu lugar no mundo e conquistar o seu espaço, o que está sempre aliado a conquista de sua independência.

A mídia reforça a onipotência desses jovens, quando veiculam comerciais de cigarros e bebidas alcoólicas, mostrando modelos com faces rosadas, aspectos saudáveis, praticando esportes (quase sempre esportes radicais). Mas na realidade, quem tem seu pulmão escurecido pela nicotina, ou seu fígado encharcado pelo álcool, não possui a vitalidade desses figurantes. Um dado assustador do Ministério da Saúde é que existem hoje 30 milhões de fumantes, sendo que 30 mil tem menos de 10 anos. Essas crianças são fumantes passivos, que absorvem, 30% da nicotina do cigarro fumado pelos pais, familiares, e pessoas que as cercam.

O índice de usuários do álcool, se encontra em maior escala, entre jovens da classe média-alta. Pois em suas casas existem bares abastecidos com todos os tipos de bebidas alcoólicas, e o uso social é o primeiro degrau na escalada da drogadicção. O uso social do álcool e da nicotina estão cada vez mais disseminados, pois são drogas lícitas, permissivas. O índice de usuários dessas drogas, hoje, é maior do que da cocaína. A escalada da dependência, começa com o uso experimental. Primeiro bebe por curiosidade, não tem padrão de uso. Depois, o uso social, só nos finais de semana, esporadicamente. Depois passa para o uso habitual, quando escolhe pessoas e lugares ligados à droga, não indo a festa, por exemplo, que não tenha bebida alcoólica. Depois passa a ser uso abusivo, por compulsão, pela busca ao prazer que a droga trás. Nessa fase inicia-se a perda do controle, dificilmente conseguirá parar. Até que por fim chega à dependência química.

De início a droga é prazerosa, e o usuário passará a vida inteira tentando resgatar o prazer inicial, mas não vai consegui-lo nunca mais. O uso daí pra frente será única e exclusivamente destrutivo. Vivemos na era do imediatismo. O crescimento da tecnologia, nos remete a uma sensação de que temos que ter tudo aqui e agora. por fax, por email, via internet. O prazer também "tem que ser" assim: imediato. Se diante de alguma dificuldade o "mais prático" é fugir da realidade, a saída é se render às drogas, onde o prazer é imediato. Ocorre que as consequências do uso das drogas, nem sempre tão imediatas quanto o prazer que elas trazem. Mas é certo que virão e só trarão o oposto dessa tão sonhada sensação prazerosa. A falta de limite tem sua parcela de responsabilidade nesse desejo desenfreado da busca pelo prazer. Muitos pais confundem autoritarismo com imposição de limites. Porém o limite na educação dos filhos é de suma importância. Não precisa ser autoritário, precisa se estabelecer regras, limites.

Estabelece-los implica tempo, desgaste emocional, mas é um preço a ser pago que com certeza trará recompensas. O papel do filho é fazer exigências aos pais e o papel dos pais é impor limites à essas exigências. A falta de limites o fará querer sempre mais e mais. E quanto mais prazer tiver com as drogas, mais prazer irá querer ter. O fim será fatalmente a overdose. Dizer não a um filho, o ensinará a dizer também não, amanhã, para as drogas..
Mudanças bruscas de comportamento: se afastam dos amigos "caretas" (que não se drogam) e das atividades que exercia.

É fato que as drogas atingem qualquer pessoa de qualquer credo, raça, cor, sexo e idade. Mas ela só alcança você, se você deixar ou quiser que isso aconteça. Nunca se considere imune à elas. Nunca duvide dos poderes que elas possuem. Amar a vida não é ser careta.