quarta-feira, 6 de março de 2013

Os nossos modelos de sucesso

Todas as sociedades e as subculturas dentro das sociedades têm modelos, pessoas que acabam por se tornar símbolos das metas a atingir ou pelo menos representantes daquilo que parece ser bom, desejável.

Os nossos modelos "não perdem nem a feijões". Não sabem perder. Dizem que "se os outros perderem a culpa é toda minha", que "alguns chama-lhe obstinação, eu chamo-lhe paixão".

Isto são frases de adicto.

Os nossos modelos dizem que não têm tempo para comer nem para dormir. "Vidas de stress, como toda a gente" e compensam isso com um suplemento alimentar.

Os nossos modelos há muito perderam a medida dos limites porque estão em constante superação dos limites e isso torna-se em si o objectivo último das suas vidas.

Se o meu objectivo é a constante superação de mim mesmo... quando poderei realisticamente, usufruir do sentimento de chegar. De estar bem, de ter conseguido ser quem eu quero e poder aproveitar isso?

Nunca.

A maior parte dos nossos modelos de vida são-no por:

Corpo magro

Muito dinheiro na conta

Um estilo de vida alucinante e cheio de contactos e riqueza

Superação física de limites



A maior parte das pessoas saudáveis e felizes não precisam de nada disso.

É um engôdo cultural grave. Que contamina desde a primeira infância, desde a indústria dos bonecos aos ídolos juvenis, ao mundo da alienação de todo um comércio de modelos no cinema, no futebol e em toda uma série de experiências que não servem para nada a ninguém porque não colam em nada com a realidade da vida comum.

Simplesmente os nossos modelos, não são exemplos de coisa nenhuma que nos sirva para alguma coisa.

Os modelos de que precisamos são pessoas realizadas de forma equilibrada, ou seja, que souberam apostar nas várias áreas da sua vida sem desequilíbrio, que foram gerindo conflitos com inteligência emocional, que valorizam, que são aceitantes para com os outros e para consigo mesmos.

Os modelos de que precisamos são humanos completos, empáticos, capazes de viver com os pés no chão sem recurso a fugas e alienação, seja ela trabalhar até à obstinação que alguns chamam paixão; seja beber.

Os modelos de que precisamos são pessoas reais, com vidas reais. Sem recusa do que sentem. Sem recusa do que são. Com coragem para abrir o coração á experiência de estar vivo.



Na realidade, os modelos de que precisamos são adictos em recuperação. Que resolveram parar de viver um filme. De terror, de glamour... é tudo a mesma coisa. É um filme. Ninguém conhece a dor e o sofrimento como um adicto, ninguém conhece o medo como o adicto. E quando o adicto entra em recuperação e consegue 24 horas sem filme, 48 horas sem filme... 1 ano, 10 anos... isso sim é ser modelo.

Modelo para os outros adictos e modelo para uma sociedade que devia abrir os olhos e entender a mestria, a lição e o exemplo daqueles que deixaram de fazer parte do problema e se tornaram parte da solução.

Ser modelo é isso.

Os nossos modelos são apenas perpetuação dos vários gradientes da doença de uma civilização que parece insistir em enaltecer, antes de mais o excesso e o exagero.

Educação e adicção

Adicionar é o que fazemos quando acrescentamos algo. Às vezes acontece que, quanto mais acrescentamos mais vazios ficamos. É o ponto de adicção.

Precisamos de ser educados. O mundo não se pode organizar em torno de indivíduos de comportamento caótico, dir-se-ia. E para cada um de nós, aprender a viver dentro de um mínimo de regras que facilitam a nossa interacção com os que nos rodeiam; é importante, também.

A forma como este adequar se processa é que depende de muita coisa. Milhões de coisas. Época, geografia, cultura, família, genética, acontecimentos...

O adicto é como um reflexo cristalino de uma polaridade: a causa de um descontentamento colectivo e a expressão excessiva dos métodos de alienação que cada cultura oferece.

Assim, se por exemplo, a falta de auto-estima por necessidade de afecto é um apelo colectivo, a alienação através das compras, da tv, da bebida é uma resposta colectiva.

Falta de algo em que acreditar.

Falta de relações de segurança e com significado

Falta de uma rede humana de proximidade

Falta de estabilidade

Falta de aceitação plena

Falta de toque, carinho, afecto

Falta de alegria, de enquadramento social

E para enganar estas e tantas outras faltas que são civilacionais, globais, culturais; sempre muitos encontrarão refúgio e fuga nos recursos ricos e criativos de todas as adições que se vão criando naturalmente pela força da carência profunda.

Não que então se deva compactuar com o adicto na medida de que o seu comportamento "tem explicação".

O adicto está sozinho por natureza. Construiu um muro a toda a volta e agora envenena-se lá dentro com comportamentos, referências ou substâncias que o façam esquecer que precisa do outro lado do mundo para ser quem realmente é.

Inútil tentar deitar o muro do outro abaixo sem que seja sem a sua vontade.

No entanto existe na adicção um convite à inteligência sensível e holística, seguida à coragem de manter uma disponibilidade independente, respeitadora. Assim, quando o adicto pedir ajuda, e apenas nesse dia, vai encontrar seres humanos capazes de, verdadeiramente, servir de apoio.

SUPERAÇÃO

REINSERÇÃO SOCIAL

A presença da família é importante durante todo o processo de tratamento da pessoa que apresenta dependência e fundamental também na etapa da reinserção social do ex-usuário de crack. Após o término da fase intensiva de tratamento e com o retorno ao meio familiar, o restabelecimento das relações sociais positivas está diretamente relacionado à manutenção das transformações.

Segundo Fátima Sudbrack, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), um dos primeiros passos para o processo de reinserção social é evitar o isolamento do usuário. “É uma ilusão achar que só a internação vai resolver o problema. Na verdade, a desintoxicação é só uma parte do tratamento, pois o mais importante é a reinserção social. É importante que o dependente saiba com quem pode contar”, explica.

É fundamental que a família reconheça que ele está em um processo de recuperação de dependência, compreenda suas dificuldades e ofereça apoio para que ele possa reconstruir sua vida social. “Durante o tratamento os familiares e amigos podem e devem apoiar o dependente, se possível com ajuda profissional. O principal risco para um ex-usuário é se sentir sozinho, desvalorizado e sem a confiança das pessoas próximas”, diz Fátima.

A capacidade de acolher e compreender, estabelecer regras claras de convivência familiar, a demonstração de um interesse real em ajudar e de compromisso com a recuperação, além do respeito às diferenças e da manutenção de um ambiente de apoio, carinho e atenção, são atitudes que contribuem para melhorar a qualidade de vida do ex-usuário e ajudam na prevenção de recaídas. “De forma geral, no início é preciso exercer um controle maior sobre as atividades do indivíduo, manter uma rotina mais rigorosa, com acompanhamento. É preciso oferecer toda a ajuda possível, manter uma proximidade maior. O que faltou antes vai ter que ser fortalecido neste momento”, afirma o médico Mauro Soibelman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o chamado manejo firme e amigável, expressão usada por psiquiatras especializados no tratamento de dependentes químicos. “Não significa ser autoritário e bruto, apenas firme no propósito de manter o usuário longe do crack”, completa o especialista.

De acordo com Raquel Barros, psicóloga da ONG Lua Nova, é preciso dar espaço para a pessoa recomeçar. “Não se trata de fazer de conta que nada está acontecendo, mas de não focar a pessoa só nisso”, ressalta. A procura por um trabalho e a volta aos estudos deve ser incentivada. “É fundamental ocupar o tempo em que o dependente fumava crack com atividades saudáveis, seja com estudos, trabalho, esportes ou caminhadas”, diz Mauro Soibelman.
Hábitos sociais

Situações de convívio social fora do ambiente familiar tendem a ser desafiadoras para o ex-usuário de crack. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, não é recomendado que a pessoa volte a freqüentar casas noturnas, bares ou mantenha contato com amigos que fazem uso de drogas. “Não podemos pedir que a pessoa abandone tudo o que fazia, mas é bem difícil retornar a esses lugares e não voltar a consumir a droga”, diz.

O uso de drogas lícitas, mesmo de forma moderada, não é recomendado pela maioria dos especialistas. “O cigarro é mais tolerável, apesar de controverso. Mas o álcool é um grande problema. Mesmo em baixas doses, a bebida alcoólica afrouxa as defesas do usuário e se torna um facilitador para recaídas”, explica Soibelman. Para a psicóloga Fátima Sudbrack, o dependente tende a compensar a ausência do crack com outra droga mais acessível. “Fazendo o uso de álcool e outras drogas ele não vai se recuperar, mas apenas buscar satisfação em outro produto”.

sábado, 2 de março de 2013

Estou em recuperação como evitar a recaida

O dependente químico em recuperação é a pessoa que tem uma doença incurável, por isso o dependente está em recuperação pela vida toda, é como se fosse um diabético, não tem cura.
Na doença da dependência química não existe culpado, somente responsável, a culpa termina nela própria, e a responsabilidade começa nela própria. Não sou culpado pela doença , mas sou responsável pelo tratamento e o estar em recuperação.
O primeiro passo para estar em recuperação é parar de usar, não podemos esperar que algo funcione para nós se as nossas mentes e corpos ainda estiverem intoxicados pelo álcool e outras drogas.
O tratamento que só visa a libertação física, o deixar usar as drogas, corre o risco de que nas adversidades, recorrer à 'mesma solução' que é usar drogas, pois não ocorreram as mudanças interiores, ou seja o dependente disponha a buscar ajuda no seu interior, para descobrir um novo caminho que igual a um projeto de vida para resgatar-se como ser-ao-mundo. Em um projeto de vida é fundamental que seja em direção ao outro, ou seja que o outro esteja presente. Tratamento é pensar na vida a fim de resgatar de forma autêntica a experiência do EU e do NÓS. No fundo tratar é o dependente recomeçar a gostar de si mesmo, é valorizar a vida. Mudando a si, ao mesmo tempo muda seu posicionamento no social.
O psicólogo Carl Rogers demonstra que em todo organismo, em qualquer nível, existe um movimento em direção ao crescimento. Esse processo é denominado de tendência de realização. Esta tendência de realização pode ser impedida, mas não destruída, a não ser que se destrua o organismo. Por isso afirmamos categoricamente que a drogadição não é uma condição sem esperança, e que existe o tratamento e o estar em recuperação.
O dependente químico em recuperação, quando para de usar apresenta a síndrome de abstinência . Sendo aguda e aparece em horas ou dias, sendo demorada e aparece após meses ou anos.
Síndrome de abstinência psicológica ocorre na mudança da emoção, os sinais e sintomas são:
emocionais- ansiedade [o DQ é o dobro ansioso que a média da população], alteração do humor [mudança brusca de comportamento], agressividade, angústia, irritabilidade, tensão, desorientação no tempo e no espaço, convulsões, paranóia [medo, perseguição, pânico], depressão primária [o DQ gera problemas iguais ao depressivo]. memória - confusão mental, concentração, raciocínio, lapsos de memória, crise de identidade.
sono-sono alterado [insônia ou sono pesado], sonhos aumentados [onde as angústias são resolvidas, a fabricação de coisas boas e a esperança de acontecer], pesadelo [ geralmente com a drogadição ].
Síndrome de abstinência física ocorre as mudanças físicas, os sinais e sintomas são -
alucinações e delírios, dor de cabeça, cãibras, sudorese, dores musculares, tremores, fadiga, oscilação pressão arterial, taquicardia, febre, náuseas, vómitos, diarréia ou intestino preso, falta de apetite.
O dependente após período de tratamento e ao estar em recuperação, começar a construir a sua auto estima através dos seguintes itens :
a minha recuperação não é para as pessoas e sim para eu ter equilíbrio na minha vida - sincero e honesto - não utilizar a manipulação - vá com calma, mas vá - estabelecer e cumprir as metas - ser assertivo - quando do ressentimento se perdoar - evitar amigos da ativa, hábitos, lugares, idéias e diversões - trabalhar o bom humor - evitar o isolamento - ame-se, seja seu melhor amigo - escolher a felicidade - identificar as suas forças - ter um sistema de valores racionais - referir-se a si mesmo com nomes positivos - colocar limite para as críticas destrutivas - melhorar-se, tentar coisas novas - decidir qual o meu valor - respeitar seu corpo com alimentos nutritivos e exercícios - meditar, orar, relaxar, tirar tempo para si mesmo.
O dependente em recuperação, na condição de pessoa tem inúmeros direitos pessoais, destaco o seguinte - dependendo da maneira que trato as pessoas, tenho o direto de exigir coisas dessas pessoas como por exemplo - RESPEITO
A recuperação começa com aplicação dos princípios espirituais contidos nos DOZE PASSOS dos grupos de mútua ajuda [ AA - ALCÓOLICOS ANÔNIMOS , NA - NARCÓTICOS ANÔNIMOS ], em todas as áreas da vida.
Ir as reuniões de recuperação dos grupos de mútua ajuda, aprendemos o valor de conversar com outros dependentes que compartilham dos nossos problemas, esperanças, metas, e reconhecemos que um dependente pode compreender e ajudar melhor outro dependente.
Na recuperação o dependente além de freqüentar as reuniões dos grupos de mútua ajuda, deve fazer terapia com psicólogos, porque a psicoterapia visa ajudá-lo a se conhecer melhor, e ajudar no combate ao hábito obsesivo e compulsivo da doença.
Em recuperação serão apresentados princípios espirituais, como a rendição que é a aceitação da nossa doença e começamos a acreditar, a um nível mais profundo,que também nós podemos nos recuperar e ficamos abertos à mudança , verdadeiramente ocorre a rendição. A rendição significa que não temos mais que lutar. Estamos dispostos a fazer o que for necessário para ficarmos limpos e abstinentes, a tentar um novo modo de vida e até a fazer do que não gostamos.
Quando a vida do dependente parece estar a cair aos pedaços, ele concentra-se nas bases do programa dos DOZE PASSOS, e em ver que a rendição é que a vitória, está em admitirmos a derrota perante a drogadição. O vazio deixado pela drogadição é preenchido através da prática e da vivência dos DOZE PASSOS.
Quando o dependente admite a sua impotência perante as drogas e que tinha perdido o domínio da sua vida, o dependente abre a porta para que um Deus maior que nós nos ajude. Não é onde estávamos que conta, mas para onde estamos indo que importa. Colocamos a vida espiritual em primeiro lugar e aprendemos a usar esses princípios espirituas como a paciência, tolerância, humildade, mente aberta, honestidade e boa vontade nas nossas vidas diárias. São atitudes novas que nos ajudam a admitir os nossos erros e pedir ajuda.
Em recuperação os fracassos são apenas contrariedades temporárias, as crises são, assim, oportunidades para fazer crescer a bagagem de vida, de se ficar mais sábio e para aumentar o crescimento espiritual. Aprendemos que os conflitos são parte da realidade, e aprendemos novas maneiras de resolvê-los, em vez de fugir deles. Aprendemos que, se uma solução não for prática, ela não é espiritual.No passado, transformávamos as situações em problemas; fazíamos uma tempestade de um copo d'água. Foram as nossas grandes idéias que nos trouxeram aqui. Em recuperação, aprendemos a depender de um Deus maior do que nós. Não temos todas as respostas ou soluções, mas podemos aprender a viver sem drogas e um novo modo de vida. Podemos nos manter limpos e apre ciar a vida como ela é, se nos lembramos de viver SÓ POR HOJE.
Não somos responsáveis pela nossa doença, apenas pela nossa recuperação. À medida que começamos a aplicar o que aprendemos,nossas vidas começam a mudar para melhor.Descobrimos que nos tornamos capazes de receber assim como de dar. Passamos a conhecer a felicidade, alegria e liberdade. Não existe um modelo de dependente químico em recuperação. Mas sonhos perdidos despertam e surgem novas possibilidades.
A recuperação torna-se um processo de aproximação, perdemos o medo de tocar e de sermos tocados. Apren- demos que um simples abraço amigo pode fazer toda a diferença do mundo, quando nos sentimos sozinhos. Experimentamos o verdadeiro amor e a verdadeira amizade.
Como dependente em recuperação, temos dificuldades com a aceitação, que é essencial à nossa recuperação. Quando nos recusamos a praticar a aceitação, ainda estamos, de fato, negando a nossa fé num Deus maior que nós. Essa preocupação demonstra que é falta de fé. A rendição da nossa vontade por drogas põe-nos em contato com Deus, que preenche o vazio dentro de nós, que nada podia preencher. Aprendemos a confiar na ajuda de Deus diariamente. Viver SÓ POR HOJE alivia a carga do passado e o medo do futuro. Aprendemos a tomar as atitudes necessárias, e a deixar os resultados nas mãos de um Deus maior do que nós.
Gradualmente, à medida que nos centramos mais em Deus, do que em nós mesmos, o nosso desespero se transforma em esperança. A mudança também envolve essa grande fonte de medo, o desconhecido. O nosso Deus é a fonte de coragem que precisamos para encarar este medo. Tudo o que conhecemos está sujeito a revisão, especialmente o que sabemos sobre a verdade. Reavaliamos as nossas velhas idéias, a fim conhecermos as novas idéias que levam a uma nova maneira de viver. Reconhecemos que somos humanos com uma doença física, mental e espiritual. Quando aceitamos que a nossa drogadição causou o nosso próprio inferno e que existe um Deus disponível para nos ajudar, começamos a fazer progressos na solução dos nossos problemas.
Na oração da serenidade, vemos que temos algumas coisas temos que aceitar, outras podemos modificar, e a sabedoria para perceber a diferença entre aceitar e modificar, vem com o crescimento espiritual. Se mantivermos diariamente a nossa condição espiritual, será mais fácil lidarmos com a dor e a confusão. Esta é a estabilidade emocional de que tanto precisamos.
Qualquer dependente limpo é um milagre.Mantemos o milagre vivo em contínua recuperação através de atitudes positivas. Se, após algum tempo, sentirmos dificuldades com a nossa recuperação, é porque, provavelmente, paramos de fazer alguma das coisas que nos ajudaram nas fases iniciais da recuperação.
Os três princípios básicos são honestidade, mente aberta e boa vontade.A honestidade inicial que expressamos é o desejo de parar de usar drogas, em seguida, admitimos honestamente a nossa impotência e o fato de nossas vidas estarem incontroláveis. Uma idéia nova não pode ser colocada numa mente fechada, pois isso temos que ter a mente aberta permitindo-nos a ouvir algo que possa salvar nossas vidas.Permite-nos ouvir pontos de vistadiferentes e tirar nossas próprias conclusões. Nos conduz ao próprio discernimento, o qual nos escapou a vida toda. Aprendemos que é normal não termos todas as respostas, pois assim, podemos ser ensinados e aprender a viver a nossa nova vida com sucesso. Porém, a mente aberta sem boa vontade não nos levará a lugar nenhum.
Temos que estar dispostos a fazer o que for necessário para nos recuperarmos. Nunca se sabe quando chegará o momento em que precisaremos usar todo o esforço e energia que temos, só para nos mantermos limpos. Honestidade, mente aberta e boa vontade trabalham lado a lado, a falta de um destes princípios espirituais no nosso programa pessoal pode levar à recaída e, certamente,tornará a recuperação difícil e dolorosa, quando poderia ser simples.
Existem outras pessoas que nos ajudam a desenvolver uma atitude de amor e de confiança nas nossas vidas, exigimos menos e damos mais. Demoramos para ficarmos com raiva e perdoamos com mais rapidez. Onde tem havido o erro, o programa nos ensina o espírito do perdão. Se nos encontrarmos numa situação difícil ou sentirmos a chegada de problemas, aprendemos a procurar ajuda antes de tomarmos decisões difíceis. Sendo humildes e pedindo ajuda, podemos atravessar os momentos mais duros. Eu não posso, nós podemos !!!
Começamos a nos conhecer pela primeira vez.Experimentamos sensações novas - amar, ser amado, saber que as pessoas se importam conosco, e sentir interesse e compaixão pelos outros. Damos por nós fazendo coisas que nunca pensamos em fazer, e gostando de fazê-las. Cometemos erros, e aceitamos e aprendemos com eles.Experimentamos o fracasso e aprendemos a ter sucesso. Muitas vezes, temos que encarar algum tipo de crise na nossa recuperação, como a morte de um ente querido, dificuldades financeiras, ou um divórcio. São realidades da vida que não se vão só porque estamos limpos. Alguns de nós, mesmo depois de anos em recuperação, ficam sem emprego, sem casa ou sem dinheiro. Alimentamos o pensamento de que não estava valendo a pena ficarmos limpos e os velhos pensamentos incitam a autopiedade, o ressentimento e a raiva. Não importa o quão dolorosa as tragédias da vida possam ser para nós, uma coisa é certa - não temos que usar drogas, aconteça o que acontecer !!!
Aprendemos a valorizar o respeito dos outros. Ficamos felizes quando as pessoas possam contar conosco. Pela primeira vez nas nossas vidas, podemos ser solicitados para cargos de responsabilidades em organizações na sociedade. Nossas opiniões são procuradas e respeitadas pelas outras pessoas . Conseguimos apreciar nossas famílias de uma nova maneira, e ser de valor para eles, e não um fardo ou um embaraço, hoje a família podem se orgulhar de nós. Nossos interesses individuais podem se ampliar e incluir questões sociais ou políticas. Passatempos e diversões dão-nos um novo prazer. É uma sensação boa sabermos que, além de sermos úteis ao outros como dependente em recuperação, também temos valor como seres humanos.
Ajudar os outros é talvez a mais elevada aspiração da alma humana, e levar a mensagem de que existe recuperação para o dependente químico na ativa, pode ser conseguida quando o dependente em recuperação, mostrar através do seu exemplo de uma vida vivida de acordo com os princípios espirituais, é realmente a mensagem mais poderosa que podemos transmitir. Voltamos a lembrar, que um dependente pode compreender e ajudar melhor um outro dependente.
Em recuperação, nos esforçamos por sentir gratidão,pela contínua consciência de Deus. Sempre que nos encontamos com uma dificuldade que achamos que não conseguimos resolver, pedimos a Deus que faça por nós o que não podemos fazer. O crescimento espiritual é um processo contínuo. Experimentamos uma visão mais ampla da realidade, à medida que crescemos espiritualmente. É possível que o dependente em recuperação esteja extremamente doente mentalmente e ainda assim possua uma `vontade de crescer' muito forte, neste caso, a cura realizar-se-á , através da espiritualidade. Espiritualidade é a qualidade do relacionamento com que ou com o que é mais importante na minha vida. Eu sou o mais importante, sou eu que persigo essa qualidade de vida, que é formado pelos relacionamentos que tenho com os pontos da minha vida, que são os seguintes -


profissional ................................. ter disciplina


físico e financeiro ...................... ter aceitação


social e lazer ................................ ter auto respeito


familiar ......................................... ter unidade


emocional e espiritual ............... ter honestidade, que é acreditar em DEUS, em AA e NA, no EU, no OUTRO.


Quando nos amamos, somos capazes de amar verdadeiramente os outros. O amor é a vontade de se esforçar para crescer espiritualmente. As pessoas genuinamente amorosas são, por definição, pessoas que crescem. Pois a jornada rumo ao crescimento espiritual exige coragem, iniciativa e independência de pensamentos e ações. Descobrimos que a maneira de continuarmos a ser pessoas produtivas e responsáveis da sociedade é colocarmos a nossa recuperação em primeiro lugar. Só o fato em parar de usar drogas e ter uma postura de bem viver, já estamos contribuindo e sendo produtivos para a sociedade.


Na frase de Cristo - "Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos", poderia ser traduzida como, "Todos nós somos chamados para estar em recuperação e para ela, mas poucos escolhem escutar o chamado".

sexta-feira, 1 de março de 2013

Viver a recuperação

Viver Um Dia de Cada Vez





Para aqueles que estão em Recuperação da Adicção activa, quer seja de substancias psico activas (abstinentes de álcool e/outras drogas ilícitas) ou comportamentos - jogo, sexo, trabalho “workaholics”, sexo, compras (shopaholics), shoplifting (furto), disturbio alimentar e codependência que procuram lidar com os seus sentimentos de uma forma construtiva, assim como, viver as dificuldades do dia-a-dia, viver no presente pode ainda ser extremamente frustrante e penoso se pensarmos que Recuperação significa mudança e em alguns casos recomeçar do zero. Esta realidade acarreta desafios e adversidade, por ex. reconquistar a dignidade, a confiança e a honestidade, adaptação ao sistema familiar, superar o estigma, quebrar as barreiras da negação e enfrentar a vergonha tóxica. Recuperação não significa cura e não é um acontecimento isolado, mas um processo de transformação de avanços e recuos.

A adicção é uma doença primaria, não é um sintoma de outra doença, é crónica e progressiva. A recaída também faz parte deste processo. Ninguém se torna adicto de um dia para o outro, não é uma escolha individual, como também ninguém recupera num determinado dia ou semana. Por isso, a recuperação da adicção activa é também gradual e progressiva sendo importante o tempo (processo). Este tempo, não pertence a ninguém, não é controlável, mas extremamente importante, muitas vezes sustentado em fracassos, na rejeição, na perda de controlo, nos erros mas também em pequenas "grandes" vitorias e desafios de crescimento emocional e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades.


Viver um dia de cada vez implica ter um plano e um compromisso para com a recuperação. Significa viver no momento presente, aqui e agora, um minuto, uma hora, uma manhã, uma tarde de cada vez. Viver no momento como se mais nada fosse realmente importante. Não alimentar a preocupação e ou ansiedade em ter resultados imediatos e milagrosos, do tipo "Eu quero ter uma relação...Quero ser aumentado no emprego... Quero ser aceite pela minha família...quero um emprego seguro...Não quero sentir...Não quero sofrer ou sentir dor". Por vezes este "Quero" significa uma crença disfuncional irreal e rígida (tudo ou nada, certo e errado) capaz de boicotar a recuperação




Na minha opinião, passamos demasiado tempo útil, por vezes desperdiçado das nossas vidas centrados na preocupação (fixação/antecipar cenários catastroficos gerados pela nossa mente/ideias). Extremamente preocupados com pessoas e coisas. Preocupados com o passado e com o futuro. Preocupados para que

os outros gostem de nós e preocupados com as perdas. Sem ter a consciência, podemos transformar o nosso presente, numa mão cheia de problemas insolúveis e preocupantes. Todavia, quando chega o fim de semana ou o mau tempo, ficamos ansiosos por não ter nada para fazer.


Viver no momento, “um dia de cada vez” pode significar:

Flexibilidade; mudança nas crenças e valores morais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades: confiar, entrega, fé e esperança, ouvir os outros e seguir sugestões.

Planear; ser objectivo, concreto e realista. Avaliar os prós e contras.

Rendição; reconhecer a impotência, a incapacidade de controlar as outras pessoas, ser honesto e pedir ajuda .

Passado; não podemos modificar o passado. Reconhecer a doença da adicção. Lidar com o ressentimento, por vezes irracional, de uma forma construtiva.

Futuro; não podemos antecipar e controlar as pessoas e o tempo, fonte de ansiedade e atitudes negativas. Evitar as projecções negativas. Podemos sonhar/ambição com objectivos (propósito) e desafios (sentido da vida), visualizar as metas; “Não viver nos castelos, mas podemos sonhar com eles.”

Gratidão; elabore uma lista de coisas pela quais se sente grato (humildade).

É possível interromper o processo destrutivo da adicção activa; é possível recuperar...um dia de cada vez.

Sobre erros, recaídas e o dilema entre voltar ou não.



Todo mundo sabe que relacionamentos que se prezem têm sogras, paixões não correspondidas e ex-namoradas como elementos necessários para compor a trama. E nesse cenário em que tudo pode acontecer, uma das coisas que mais se fala é o relacionamento com ex. Existe vida após o término?
A gente se pega pensando sempre no que nos levou ao término de um namoro ou relacionamento estável: dentre milhares de motivos que vão desde os mais bobos (como a mania dela de te chamar de chuchu) até os mais sérios (como a percepção de que vocês não combinam). E daí a procura pelo erro crucial que fez com que aquele castelo de areia desmoronasse é sempre acompanhada por uma boa dose de álcool e DR (seja consigo mesmo, seja com a ex em questão). A ideia que a gente tem de um relacionamento que chegou ao fim por causa de um erro é bem comum e nos leva a milhares de perspectivas pós-término. Eu acredito que, principalmente aqueles que ainda mantém algum tipo de sentimento pela ex, caem na velha armadilha da “amizade colorida” depois de tudo.
Vamos lá: eles eram amigos e começaram a namorar. De antemão vocês já percebem o risco de perder um ao outro caso a coisa fique feia e não funcione entre eles. Um mês, um ano e pronto! Terminaram! E agora eles vão se manter um tempo afastados e tentar recuperar aquela velha amizade de tempos atrás. Ele ainda gosta do sorriso e do perfume dela. Ela ainda acha que ninguém transa como ele e nenhum abraço se encaixa perfeitamente assim. Voltam a se encontrar, a sair juntos, a trocar sms, a relembrar velhas histórias e TCHARAM: recaída.
Recaída é quando a gente sabe que vai cair do penhasco e não vai andando: se joga. Se joga com força e já sabendo a dor que vai ser bater a cara no chão. Mas dessa vez não é surpresa se a gente errar de novo: é repetição de um erro anterior que foi agradável ou prazeroso.
O grave problema da recaída é que ela acende na gente um monte de dúvidas que pareciam ter sido apagadas muito bem com o extintor no meio do incêndio que foi o término. Você não sabe o que aconteceu, nem se gosta mais da pessoa. Você não sabe se foi um monte de beijos de uma noite só, ou se aquele abraço e olhar carinhoso significam alguma coisa a mais. O erro da recaída consiste no envolvimento emocional que (mesmo que não se queira) acontece. Acontece porque é bem provável que você não vá descartar um sentimento, mesmo que de lembrança, ligado a todos os momentos bons que você viveu com outra pessoa. Se você tiver a sorte e a evolução espiritual de não sentir mais nada, a recaída mostra seu lado positivo. Ela também pode servir para mostrar que o que passou já foi e não volta mais. Ponto e sinal pra seguir adiante de vez.
Muito bonito e muito poético. Mas e daí? A recaída tem o poder de fazer com que a gente pense em milhares de frases de efeito e situações novas. Se o tempo de término e o da recaída forem distantes, rola aquele bom e velho: será que eu devo tentar de novo? Talvez ela seja uma pessoa diferente agora… Ela sorri da mesma maneira, ele larga o jogo de futebol para vê-la. Eles vão jantar num restaurante novo e ela percebe que ele aprendeu a contar piadas engraçadas. Ela fez as unhas e usou um vestido daquela cor estranha que ela dizia odiar. “Ela mudou/Ele mudou”. Bingo! Os dois estão com a sincronia perfeita de pensamento que os faz cair diretamente na emboscada do “Acho que dessa vez vai ser diferente. Talvez seja bom tentar”.
Medo, insegurança, mãos suando frio e um riso frouxo na cara. O dilema entre voltar ou não é mais complicado do que se imagina. Por um lado, existe a possibilidade de o tempo ter mudado os dois a ponto das coisas serem diferentes agora e realmente dar certo. Por outro lado, existe a comprovação da experiência anterior de que vocês não funcionaram e que isso tudo pode ser perda de tempo (ou pior: pode ser mais uma chance provável de quebrar a cara e reviver toda a dor e mágoa de outro término com a mesma pessoa). É um momento de colocar na balança o que o coração diz de novo e o que a experiência já disse uma vez. Alguns preferem respeitar o sinal de um suposto destino e deixar o passado no passado. Outros preferem acreditar em segundas chances e se permitem tentar mais uma vez em prol da alegria e das lembranças boas.
No final, o que vale mesmo é pesar a vontade. Por experiência própria, eu digo que fazer o que se quer nesse momento desvairado pode trazer resultados bons. Mas também entendo quem prefere se manter na retaguarda e ficar atrás do escudo pra não se machucar mais ainda. A recaída te dá duas opções que formam um dilema. Mas quem escolhe a experiência que vem a seguir é única e exclusivamente você.
Esta postagem e só um exemplo de recaida pois existem varios outros motivos para uma recaida e que podem nos levar de volta ao uso.

Como proceder depois da recaída

Estudar os motivos da recaída fortalece o indivíduo e diminui a chance de novos episódios. Não é o momento para questionar a força de vontade da pessoa, a competência da equipe ou o apoio da família. É o momento de refletir e reformular as estratégias, com todos os envolvidos.

A pessoa precisa aprender a viver sem as drogas. Apenas tirá-las deixa um vazio que precisa ser compreendido e preenchido. Muitas vezes, habilidades precisam ser aprendidas. Imagine um jovem que só sabe se relacionar com pessoas se tiver fumado um "baseado". Interromper o uso sem oferecer-lhe alternativas seria condená-lo ao isolamento. Todo aprendizado implica em erros, falhas.

É preciso tentar motivá-lo novamente a parar de usar drogas, sem confrontos ou acusações, mostrando-lhe como já foi capaz de parar uma ou mais vezes e reforçando sua capacidade de realizar novas tentativas. Um dos procedimentos mais eficazes para retomar o processo é analisar os fatores que o levaram a voltar a usar a droga. Por exemplo, identificar o momento em que fez o uso, como se sentia, que dificuldades ou vivências estava experimentando, o que pensou ao dar o primeiro passo, onde e com quem estava, etc. Por meio destas reflexões é possível ajudar o dependente a perceber que ter consciência desses fatores possibilita evitá-los ou planejar ações para contorná-los - o que pode ser feito mais sistematicamente dentro de um ambiente de tratamento. A pessoa que recaiu geralmente tem a sensação de que sua capacidade para se manter abstinente está enfraquecida e sente medo de que o antigo hábito possa dominá-lo de forma irreversível. Aqueles que querem ajudar uma pessoa nesta situação precisam entender esses fenômenos, fazê-la compreender que este deslize não significa que se trata de um "doente incurável" e que pode fazer desta crise um momento de aprendizado.