quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Só por hoje 5 anos limpo





Parecia um sonho, ou melhor, um pesadelo. Quando dei por mim, estava no olho do furacão. Olhei ao redor, me procurei e não me achei mais aquele cara esperto, inteligente, trabalhador . Quem encontrei não era mais eu. Não era homem, não era o pai, não era o marido, mas sim um derrotado.
E foi assim que com muito sofrimento assumi a dependência química . Eu, que não imaginava o que era isso, que achava que só acontecia com os outros, que quem não fazia nada não tomavam providências....Agora eu precisava gerenciar uma situação e não estava absolutamente preparado para ela.
Não sabia o que fazer e enquanto eu não sabia o que fazer,a droga sabia muito bem como me derrotar. E como!!! Ela manipulava-me com uma facilidade.!!!
E os tempo foi passando e a situação se agravando. Durante algum tempo eu consegui administrar o uso. Mas
eu a cada dia queria usar mais e mais.
Ate que cheguei no GRUPO LAPA, indicado por um grande amigo. Alias ele me levou até a porta e disse daqui pra dentro e com vc.
Ali entrei e depositei toda minha esperança que tudo poderia ser diferente. E realmente foi, pois senti que podia confiar nas pessoas que lá estavam. Senti o empenho dos companheiros para que ali ficasse e ouvisse as partilhas para que surtisse efeito em minha vida.
E assim ali permaci. O tempo foi passando e eu voltando? Isso para mim contou muito em minha recuperação. Tive que me basear somente em meu comportamento, em minha conscientização da doença e de minha real proposta de mudança.
O grupo me proporcionou conhecer mais sobre mim mesmo. Entender minhas limitações, angústias, frustrações. Deu a mim ferramentas para manter a sobriedade. Permitiu-me vislumbrar um amanhã. Voltar a sonhar, a ter perspectivas de futuro. Isso seria algo inimaginável há algumas 24 horas atrás.
Hoje, faz exatamente cinco anos que entrei por a porta daquele grupo lapa.

Hoje tenho a confiança que todos podem vislumbrar um futuro, que as drogas não são o fim, mas sim a oportunidade de um recomeço, já que o pulso para o uso foi um vazio existencial muito grande. Para isso é necessário saber que para estar limpo temos que nos dar uma oportunidade tendo força de vontade e acreditar num poder superior.
A você que agora lê esse depoimento, acredite que vai dar certo. O primeiro passo já foi dado. Você está buscando ajuda. Sozinhos não conseguimos. Juntos somos mais fortes.
Gostaria de dizer que ainda tenho muitos defeitos de carater, mas que só por hoje estou me dando uma oportunidade de mudar, quero pedir perdão por minhas falhas pois sou um ser humano como outro qualquer, e erro porque tento pois se não tentasse eu não erraria.
Quero agradecer a minha esposa TAIRINE, a amigos e familiares por me ajudar a permanecer limpo por exatamente há 5 anos.



EU SÓ MANTENHO A MINHA CHAMA ACESA DIVIDINDO COM AS OUTRAS PESSOAS O POUCO QUE ME FOI DADO.

Agradeço ao PODER SUPERIOR por mais um dia limpo!!!

SPH FUNCIONA!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Sim você pode !!!!!!


A dois anos atras postei aqui pela ultima vez masestou aqui hoje completando 5 anos limpo e só que por gratidão dizer.......

SIM VOCÊ PODE !!!!!

Bom comecemos assim, hoje acho que seria hipocrisia da minha parte não dizer os benefícios de não usar drogas!

DO CARALHO!!!
Mó viagem viver sem drogas!
É O MAIOR BARATO!
Doidera de verdade é viver limpo!
É A LOUCURA REAL
FICO DE CARA LIMPA!!

E sempre, muito feliz!!

Eu usei drogas por um tempo, que somente agora, mais de um 5 anos limpo, eu consigo sentir o que é viver a vida sem nenhum tipo de substância que altere meu humor. Se alguém tem dúvida sobre os benefícios de parar de usar, pense bem:
(não sou contra quem usa e não faço apologia contra as drogas, quem me conhece sabe disso, se a pessoa quer usar o problema é dela, se ela quer parar o problema é nosso)

*Você terá uma sensação de liberdade inimaginável, não será escravo de mais nada, sua mente estará liberta da obsessão e da compulsão de usar, poderá optar por viver a vida da forma que mais lhe convém sem necessitar de nada externo.

*Saberá administrar melhor, seu tempo, seu dinheiro e sua vida.

*Terá controle sob sua mente proveniente do auto domínio e do auto controle.

*Terá uma vida longe da angústia de não saber o que fazer se não tiver um baseadinho, carrerinha, cervejinha ou pedrinha.

* Você nunca mais terá ressaca!

*Economiza bastante semo uso.

*Nunca mais terá aquela sensação de não saber o que fez na noite anterior.

*Seu humor melhora, sua auto estima, auto confiança e oportunidades de crescimento em todos os níveis multiplica>físico, mental e espiritual.

*Contato consciente com Deus através da prece e da meditação, há um resgate da espiritualidade pura e simples, sem mediadores ou alteradores de consciência.

*Você terá prazer em lembrar de todos os momentos, sua memória nunca mais será invadida por arrependimentos, vergonhas, vexames ou qualquer outro tipo de sentimento de culpa ou remorso provocado pelo excesso do uso. Você lembrará de tudo que fez com uma lucidez invejável.

*Não terá problemas com a polícia.

* Vai poder assistir filmes, ir na cachoeira, praia ou fazer qualquer coisa sem precisar de nada, antes eu só fazia determinadas coisas, mesmo positivas se tivesse unzinho...

*Pode receber qualquer pessoa a qualquer momento em sua casa, não precisa mais se afastar daqueles que não usam ou não gostam de usar.

* Não digo que não irá falar mais merdas, mas com certeza será bem menos chato e inconveniente do que nas últimas 24 horas.

* Seu sorriso e alegria com certeza serão mais verdadeiros.

*Não precisará de nenhuma bengala para conquistar alguém.

* Não precisará se auto destruir para viver, ganhará em qualidade de vida e no aproveitamento real de todas as atividades.

* Não terá mais medo de enfrentar os problemas e as dificuldades de frente.

*Todos os órgãos do corpo humano serão beneficiados, todos os sistemas orgânicos funcionarão melhor, TODOS, o bem estar físico é impressionante!

*Brilho nos olhos!

* Nunca será careta, pois todos os "doidões" já estão mil anos luz distantes da realidade, já faz algum tempo que não somos " pessoas normais".

*Terá mais tempo para ficar com as pessoas que realmente nos amam e nos valorizam por aquilo que de fato somos> família, amigos que gostam da nossa presença e não do quanto ou do quê temos no bolso.

*O raciocínio e a clareza mental voltam a funcionar perfeitamente.

*Não existirá mais a eterna roda gigante que sempre oscila entre a euforia e a depressão.

*Terá a oportunidade de se auto conhecer, sem precisar de nenhum recurso externo.

*Conhecerá a dor e a alegria reais, sem nenhum tipo de anestésico, aprenderá a passar pela dor sem fazer uso de nada, isto resultará num crescimento emocional considerável.

*Irá parar de priorizar as suas vontades e focar nas suas necessidades.

*Terá tempo de sobra para fazer tudo aquilo que sempre sonhou fazer e nunca conseguiu colocar em prática por viver bêbado ou viajando.

*Irá parar de ficar idealizando o mundo, mas irá enxerga-lo na sua totalidade.

*Irá perceber que não são as coisas, pessoas e lugares que devem ser modificados ou que são a causa do nosso insucesso, mas tão somente são consequências de nossos próprios atos.

Eu poderia citar mais uma lista dos inúmeros benefícios que encontrei, friso que não preciso me humilhar para nenhum traficante, não preciso frequentar quebradas, não preciso estar com pessoas que não comungo dos mesmos ideais, não tenho mais conflitos familiares provocados pelo uso das drogas, ficaria mesmo o dia inteiro escrevendo sobre isso, pois é muito bom mesmo.

ACREDITO TER ENCONTRADO UM CAMINHO, E ESTE CAMINHO É O DA RECUPERAÇÃO, ASSIM COMO UM DIA EU TIVE A CORAGEM DE DIZER O QUANTO ERA BOM UMA VIDA COM DROGAS, UTILIZO ESTA MESMA CORAGEM PARA DIZER O QUÃO BOM É PODER VIVER SEM ELAS.

EU SÓ MANTENHO A MINHA CHAMA ACESA DIVIDINDO COM AS OUTRAS PESSOAS O POUCO QUE ME FOI DADO.

Agradeço ao PODER SUPERIOR por mais um dia limpo!!!

SPH TMJ!!!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Tres anos sem droga... renascendo...racionalizando ...sentindo.


Estou a 3 anos sem o uso de drogas, como está sendo ficar limpo esse tempo... Devo dizer que foi um turbilhão de sentimentos, de muitos questionamentos, de aprendizado, entendimento. Aceitar a vida sem anestesia, voltar pra esse mundo real.
Ficar sem droga a essas alturas é o de menos, a vontade ainda existe, mas fica em segundo plano. O mais complicado foi e ainda é mudar todos os hábitos adquiridos ao longo de tantos anos. Entender dentro de mim, o que é razão, o que é emoção. O que eu sempre pensei...o quanto sou eu de verdade e o que é resquício das drogas, ter compreensão, humildade para aceitar que muitos dos meus pontos de vista estavam errados.Não mudei em muitas atitudes externas, trabalho, disciplina, ainda não vi grandes mudanças, mas internamente, muita coisa mudou...Consegui nesses 3 anos limpo, me respeitar, sempre fui introspectivo, penso, penso, racionalizo, peso, sinto, se houver um sentido emocional, faço, se não tiver, não faço, simples assim. Não me prendo mais, já que o meu conceito de liberdade era totalmente errado, pois era escravo das drogas e agora não sou mais, me dou ao direito de ir e vir, pela minha razão sim, mas sem deixar jamais de lado o meu sentimento, eu sou a pessoa mais importante, pra mim mesmo. Se eu não estiver inteiro, ninguém que amo estará (não no meu ponto de vista).É a vida tomou outro foco, outro rumo, quero mais de mim, quero mais dos que me ajudam, mas quero só o suficiente, não faço sobre hipótese alguma, o que não me faz sentir bem comigo mesmo.
Aprendi a abrir mão do “controle” se o meu foco, o meu jeito de fazer ou pensar está em desacordo com o que quer o, então não ajo, não faço do meu modo, deixo nas mãos de Deus, pode parecer algo de religião isso, mas não, é aprender a entregar algo da minha vida, nas mãos de Deus, isso me deu uma paz interior enorme, isso se chama fé.Estou me encontrando!!... Vocês não tem noção do quanto quis, desejei, implorei por isso.Ser apenas eu, sentir de verdade, ser humano, viver esse momento, sem estar perturbado. Momento paz de espírito. Amém!

COM NARCOTICOS ANONIMOS CHEGUEI LA!


É POSSÍVEL RECUPERAR-SE DO USO DE DROGAS SEM INTERNAÇÃO?


É comum ouvir entre as pessoas, que um dependente químico, para se recuperar do vício e levar uma vida normal, tem que ser afastado da sociedade e ser submetido a um tratamento com alguns meses de duração, em um lugar isolado e longe de qualquer possibilidade de uso de drogas. Algumas pessoas acreditam que com alguns meses sem uso de drogas, depois de o organismo desintoxicar, a pessoa conseguirá parar de usar drogas definitivamente e se voltar a usar drogas, é por falta de caráter, vontade ou algo do tipo.
Se a dependência química fosse uma doença física, este argumento poderia ser verdadeiro, porém, sabemos que a dependência química é uma doença espiritual, com graves conseqüências físicas é verdade, mas sua origem e desenvolvimento se dão na alma, nos sentimentos e no entendimento.
Quando fui internado pela primeira vez, após o terceiro mês de isolamento em uma fazenda para recuperação de dependentes químicos, tive a sensação de que nunca mais iria voltar a usar drogas. Desintoxicado, bem alimentado e praticando esportes, estava fisicamente recuperado.
Após 130 dias de internação, recebi alta, era jovem e meu maior desejo era voltar a estudar, trabalhar para construir um futuro digno. Porém depois de dois meses após a saída da internação, lá estava eu novamente no vício, com mais voracidade que antes e muito mais auto-destrutivo.
O que houve? Quando usei drogas pela primeira vez, não imaginava onde as drogas iriam me levar, não pensei que iria chegar ao fundo do poço, quase destruir minha vida e minha família, pensava que iria conseguir controlar, sem dúvida, na primeira vez me iludi, me auto- enganei, achando que não me viciaria. Achava que pararia de usar quando quisesse. Enganei-me!
Porém, quando recaí, após cinco meses internado e mais dois meses na rua, freqüentando um grupo de recuperação sem usar drogas, não havia desculpas, já sabia do poder destrutivo das drogas e que não podia controlar o uso uma vez que o iniciava, e alem do mais, meu organismo estava limpo e recuperado, eram sete meses sem uso de drogas. Para completar eu tinha sonhos, queria estudar, trabalhar, conhecer uma garota decente, casar, ter filhos e ainda, eu tinha todo apoio da minha família. E eu não era uma pessoa sem caráter, aliás, nunca fui!
Então, porque recaí?
A dependência química é uma doença comportamental, sendo assim, só é detida com a mudança do comportamento autodestrutivo, está mudança não é fácil de ser realizada, pois este comportamento é um traço marcante do indivíduo, que na maioria dos casos o acompanha há anos. No meu caso, os sentimentos de inferioridade, orgulho, baixa auto-estima e eterna insatisfação, ditavam meu comportamento.
Como mudar?
O primeiro passo para a mudança é a admissão que é necessário mudar! Admitir que algo está errado!
Se uma pessoa, não admite que tem um problema, ela nunca irá conseguir se libertar deste problema. Por isso, a recuperação não depende da igreja, da família, do pastor, da clínica de recuperação. A sua recuperação depende de você!
Uma vez admitido o problema (e isso já é um grande passo), o dependente químico está pronto para começar a se recuperar.
É importante lembrar que ninguém muda de um dia para o outro, porém o dependente químico não tem muito tempo, pois se o uso de drogas não for detido, o dependente poderá perder a vida a qualquer momento. Não é necessário lembrar que a conseqüência final do uso de drogas é a morte!
A princípio o recuperando deverá evitar lugares e pessoas que estão relacionadas ao seu uso de drogas.
Quem quer se recuperar não pode freqüentar bares, pontos de venda de drogas, baladas e similares. É importante saber, álcool é droga! Uma latinha de cerveja não mata ninguém, mas uma simples latinha de cerveja faz com que um dependente químico, acabe voltando ao uso de drogas!
Quem quer se recuperar, não pode andar com quem usa drogas, em hipótese alguma! Se você voltar a andar com usuários de drogas, você voltará ao uso!
Quem quer se recuperar tem que preencher seu tempo com atividades que o remeta à recuperação.
Nos primeiros meses, a obsessão (pensamento fixo no uso de drogas) e a compulsão (uso descontrolado de drogas) são o grande desafio do recuperando. Por isso é importante que o recuperando esteja todos os dias envolvido com a recuperação, em grupos de recuperação, igrejas etc.
É importante buscar amigos dentro de ambientes saudáveis, como por exemplo, nos citados no parágrafo anterior. No começo é difícil, pois o uso de drogas por um tempo prolongado nos torna diferente das outras pessoas, sentimos e reagimos diferente, mesmo sabendo que para Deus somos iguais. Esforce-se para fazer amigos que agregarão coisas boas a você, isso é fundamental para sua recuperação!
Os princípios contidos na bíblia são uma ferramenta poderosa, capaz de mudar o comportamento e o caráter do indivíduo. Se seguirmos este caminho seremos transformados e vivenciaremos o milagre, que é ficarmos uma hora sem usar drogas, esta hora se multiplicará e logo, será um dia, um mês, um ano, uma nova vida! Este é o milagre: Uma nova vida, sem drogas.
A internação ajuda, porém, nem todos tem acesso, além disso, o ambiente mais apropriado para a recuperação é o ambiente onde o recuperando vai ter que viver. Não adiante ficar meses internado, se adaptando a uma realidade que não é a sua, pois quando você voltar para sua realidade irá ter problemas e poderá voltar ao uso. Portando, pratique os princípios que foram apresentados neste texto, faça sua parte e viverá o milagre.
Funcionou para mim, funcionará para você!

Cicatrizes da droga



Um novo jeito de sentir.


Caminhei por mundos tenebrosos, onde a vida era somente frestas de luz, uma luz toldada de drogas, de rebeldia, de revolta e medo. Mas este medo se evaporava quando eu conseguia mais drogas, porque eu ficava “forte”, ficava “feliz”, era “livre”, e com isto eu ia levando minha vida, cada dia mais longe da minha família e mais perto da “boca”.
Foi difícil o momento em que pedi ajuda, pedi socorro, porque eu sabia que iriam me tirar todo o prazer da vida, toda a sensação de felicidade. Eu não era tolo, eu sabia que meu organismo ia gritar por drogas, por prazer, por sensações inebriantes, e eu ia continuar, por muito tempo, a ser escravo da vontade, escravo da droga, escravo da dependência química.
Fui atrevido, porque interrompi meu tratamento pela metade, não porque eu tivesse a certeza que iria conseguir sentir felicidade sem uma “cheirada”, mas porque a claustrofobia do isolamento estava me levando ao desespero, mas também porque acreditava na minha família, ela foi a guia mestra que me guiou no meu período de recuperação.
Hoje estou a três anos sem drogas, mas aprendi a respeitá-la, não a afronto, não frequento seus pontos, não preciso provar para ninguém que sou forte e posso passar por cima dela, porque a minha força maior está no respeito ao divisor.
Reaprendi a educar minha mente, pois a plena recuperação não está só no corpo, só no organismo, está também na mente, porque somos o que pensamos, somos o que sentimos, e para sentirmos coisas boas, temos que pensar coisas boas, viver coisas boas.
Não digo que não me lembro de drogas, lembro da “lapada” da sensação boa, porém, melhor que esta sensação, é a certeza que fui mais forte que ela, que a venci, que consegui descobrir sensações novas, sentimentos novos, atitudes limpas, hoje eu olho o mundo de frente com a certeza que sou um vencedor, porque venci a mim mesmo, venci o medo de não ter alegria pura sem drogas.
Hoje meu riso é limpo, minhas emoções são sinceras, hoje minha capacidade de amar se estende a outros, e não somente a mim mesmo, porque hoje eu sou EU, um eu sem drogas, sem vícios e sem medo.
Olho meus filhos e sinto orgulho de ser um homem capaz de amá-los, alimentá-los, educá-los, porque hoje sou auto suficiente emocionalmente, não preciso de drogas para me sentir feliz, porque o olhar dos meus filhos para mim, seus risos e seus carinhos inocentes são mais inebriantes que a sensação das drogas, é a sensação da VIDA.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Quarto Passo em Narcóticos Anónimos

Isto é um modelo daquilo que pode ser um minucioso inventário do Quarto Passo. Embora queiramos ser o mais minuciosos possível, podemos sentir,especialmente na nossa primeira tentativa, que não conseguimos responder a todas  estas perguntas. De fato,muitos de nós sentimos que isto é demasiado, mas não deixemos que isso nos  impeça de ser o mais minuciosos possível.

O Quarto Passo em Narcóticos Anónimos



“Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.”Este guia destina‐se a ser um auxílio para escrever um inventário do Quarto Passo. Éextremamente importante que o façamos com o nosso padrinho ou madrinha de NA. Se aindanão tens um(a), esta é uma boa altura para encontrares um(a) que possa guiar‐te através destes passos. Depois de leres este guia sozinho, sugerimos que o leias outra vez juntamente com o teu padrinho ou madrinha antes de dares início ao Quarto Passo. É também bom que uses outra literatura de NA, bem como as reuniões de passos, a fim de obteres mais informação sobre o Quarto Passo. Há muitos métodos de escrever inventários, e não existe uma maneira certa para toda a gente. Este guia representa a experiência, a força e a esperança de muitos adictos que encontraram a recuperação em Narcóticos Anónimos. Seja qual for o método, o nosso Quarto Passo será bem sucedido se for minucioso e destemido.

Minucioso e destemido...

O Quarto Passo pede que sejamos minuciosos e destemidos. É‐nos pedido que olhemoscuidadosamente para nós mesmos e que procuramos bem debaixo do manto de ilusões que até agora usámos para esconder a verdade de nós mesmos. Procuramos bem dentro de nós, como se entrássemos numa casa escura apenas com uma vela para nos iluminar. Caminhamos em frente, apesar dos nossos receios e da nossa resistência ao desconhecido. Precisamos de ter a boa vontade para iluminar todos os cantos de todas as salas das nossas mentes, como se as nossas vidas dependessem disso, pois a verdade é que dependem.Aquilo que procuramos aqui é um quadro completo e total de nós mesmos. Vimos que isso exige honestidade  para examinarmos os nossos comportamentos, sentimentos,pensamentos emotivos, não importa quão pouco importantes possam parecer. A nossa honestidade é importantíssima, pois conduzirá à descoberta de como a nossa doença atingiu as nossas vidas.Temos agido com uma imagem distorcida de nós mesmos, nunca olhando completamente para todo o quadro. Agora, talvez pela primeira vez nas nossas vidas, começaremos a olhar para nós mesmos tal como somos, em vez de como nos imaginávamos ou fantasiávamos. Quanto mais exato e completo for o quadro,maior será a liberdade que alcançaremos.

Devemos sublinhar aqui que ser minucioso não é o mesmo que ser perfeito. Não existemQuartos Passos perfeitos. Fazemos o melhor que pudermos o mais minuciosamente possível.Com zelo e perseverança, escrevemos o mais honestamente que pudermos. Exigirmos aperfeição de nós mesmos pode por vezes ser uma maneira de evitar o nosso Quarto Passo.Talvez também tenhamos ouvido pessoas dizer, “Se não fizeres um inventário minucioso,voltarás a usar.” Mas aqui temos de voltar atrás ao nosso Terceiro Passo e confiar em Deus sem quais quer reservas. Se nos concentrarmos no nosso receio de que o nosso inventário não venha a ser suficientemente bom, ou nos preocuparmos com aquilo que o nosso padrinho ou madrinha dirão quando o partilharmos, nunca o começaremos. Este não será o último inventário que iremos escrever. Não é necessário escrever‐se um “best‐seller”; é apenas necessário que comecemos com honestidade e sejamos o mais minuciosos que pudermos. Uma das coisas que aprendemos no Terceiro Passo foi confiar em Deus. Agora podemos ser destemidos e escrever a verdade. Este Quarto Passo é um processo tanto libertador como curativo. Pomos a nossa fé num Deus amantíssimo e confiamos em que aquilo que escrevermos será exatamente aquilo que deveremos escrever se formos minuciosos e destemidos.

...Inventário moral...

No Quarto Passo é‐nos pedido que façamos um inventário moral. Quando pela primeira vezouvimos a palavra moral, alguns de nós tínhamos concepções erradas daquilo que elasignificava, enquanto outros não fazíamos a menor ideia. A moral é simplesmente valores, os princípios que escolhemos viver hoje na nossa recuperação. Não é objectivo deste guia definir o que é moralidade, ou definir um conjunto de valores que devam ser seguidos. Reconhecemos que cada um de nós possui valores internos próprios. Podemos escolher definir o bem como aquilo que tem o poder de trazer cá para fora o melhor dentro de nós e afirmar a nossa recuperação, e o mal como aquilo que tem o poder de trazer cá para fora o pior dentro de nós e que irá contra a nossa recuperação.Olharmos para os nossos sentimentos também pode ajudar. Ao escrevermos o nosso QuartoPasso, deveremos olhar, não só para aquilo que fizemos, mas também para como nos sentimos.Os nossos princípios morais podem ter sido vagos ou indefinidos, mas existiam mesmo quando usávamos drogas. Em situações em que nos sentimos mal, ou em que sentimos que algo estava errado, era certamente porque tínhamos comprometido os nossos valores morais, ou porque não conseguíamos respeitá‐los.Quando compreendemos isto, vimos como os passos se encaixavam uns nos outros.Começámos a ver a natureza exactadas nossas falhas.Isso significava mais do que apenas os erros que cometemos. Significava olharmos bem para o erro que cometemos e chegarmos à natureza desse erro. Por exemplo, se roubámos dinheiro aos nossos pais para comprar droga, isso foi uma falha. Qual foi a natureza dessa falha? A natureza dessa falha foi o nosso egocentrismo, o nosso medo, a nossa desonestidade e faltade carinho. Fomos egocêntricos na medida em que quisemos aquilo que quisemos, à custa de outra pessoa. Tivemos medo de não conseguirmos aquilo que queríamos. Fomos desonestos, pois tirámos dinheiro sem o conhecimento ou a autorização deoutra pessoa. Não demonstrámos carinho, pois fizemos algo que magoou outro ser humano.

...De nós mesmos

É importante lembrarmo‐nos de que este é o nosso inventário. Não é o local para se registar as falhas ou os erros dos outros. Quando olhamos assim para as nossas vidas, vemos que a natureza das nossas falhas, os nossos defeitos de carácter, é aquilo que nas nossas vidas se opõe a princípios espirituais. O nosso inventário é, então, um processo de descobrir como os nossos defeitos de carácter trazem dor e preocupação, não só a nós,mas também aos outros, e como a nossa nova vida, fundada nos Doze Passos, pode trazer‐nos serenidade, conforto e alegria. Com o Quarto Passo, descobrimos aquilo que bloqueia o nosso caminho e aquilo que pode funcionar para nós.

ORIENTAÇÕES GERAIS

Quando estamos prontos para começar, pedimos a Deus que nos ajude a sermos minuciosos e destemidos neste inventário. Alguns de nós até escrevemos uma pequena oração no início do nosso inventário.O importante é que nos sentemos e comecemos a escrever. À medida que os sentimentos vêm à superfície,devemos estar dispostos a encará‐los e a continuar a escrever. Alguns deles podem ser incómodos ou desagradáveis mas, não importa o que aconteça, sabemos que Deus está conosco.Podemos sentir‐nos bem sabendo que estamos a tomar uma ação positiva para a nossa recuperação.Pedimos então a um Deus amantíssimo que nos ajude, e tentamos lembrar‐nos de que aquilo que escrevemos fica entre nós mesmos e o Deus da nossa concepção.

As orientações seguintes permitem uma estrutura para nos examinarmos a nós mesmos.Contêm os elementos básicos que usamos no nosso inventário. Para que não te atrapalhes,mantém‐te em contacto com o teu padrinho ou madrinha. Algumas sugestões práticas são:1. Segue as orientações e faz uma secção de cada vez;2. Deixa uma margem espaçada para poderes anotar quaisquer sentimentos que surjam àmedida que escreves;3. Não apagues nem risques nada, nem revejas o teu inventário.Ao longo deste guia surgem exemplos dos tipos de perguntas que fazemos a nós mesmos.Algumas dessas perguntas podem não parecer aplicar‐se a ti. São incluidas para te ajudarem no teu inventário. Escreve cada pergunta à medida que avanças no inventário. Sempre que aresposta seja um simples “sim”, faz uma lista de exemplos. Em cada situação tenta ver ondeestiveste errado, quais foram os teus motivos, e qual foi o teu papel.Ao veres o teu comportamento antes, durante e depois da adicção activa, começam a surgirpadrões.O objetivo de um minucioso e destemido inventário moral é chegar‐se à verdade, olhar‐se com firmeza para a realidade. O que tentamos fazer aqui no Quarto Passo não é ver apenas onde estivemos errados, mas compreender também qual foi o nosso papel e como podemos estar ainda a alimentar esses padrões de comportamento. A descoberta e a identificação permitem que nos libertemos dos nossos defeitos, nos passos que vêm depois. Embora possa por vezes ser embaraçoso, ou mesmo doloroso, sermos honestos com nós mesmos, quanto às nossas falhas e aos nossos defeitos de carácter, escrever apenas esta informação não poderá magoar‐nos.Revisão dos primeiros três passos. Já fizeste os primeiros três passos como teu padrinho ou madrinha.Estes passos dão‐nos a preparação e as bases necessárias para fazermos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos. Muitos de nós achávamos importante escrever os primeiros três passos. Agora, antes de escreveres o teu inventário, volta atrás e revê os teus primeiros três passos.Nesta altura somos lembrados de que é só com a ajuda de um Poder Superior, e não sozinhos, que podemos seguir em frente sem medo. Antes de começarmos a escrever, guardamos uns momentos de silêncio para pedir ao Deus da nossa concepção a coragem para sermos destemidos e minuciosos.


ESTAMOS AGORA PRONTOS PARA COMEÇAR A ESCREVER O NOSSO QUARTO PASSO.

I. Ressentimentos. Os nossos ressentimentos causaram‐nos dor. Revivemos continuamentenas nossas mentes dolorosas experiências passadas. Sentíamos raiva por coisas que tinhamacontecido e fizemos uma lista mental de ressentimentos. Estávamos arrependidos pelasespertezas que não tínhamos dito, e planeávamos vinganças que puderam, ou não, tertidolugar. Andávamos obcecados com o passado e com o futuro, e assim enganávamo‐nos a nóspróprios no presente. Precisamos de escrever agora sobre esses ressentimentos, para vermoso papel que tivemos na sua criação.

A. Faz uma lista das pessoas, das organizações e dos conceitos que ressentes. A maioria de nós começa com a infância, mas qualquer ordem serve, desde que esteja completa. Inclui todas as pessoas (pais, irmãos, amigos, inimigos, nós próprios, etc.); organizações e instituições (prisões, polícia, hospitais, escolas, etc.); e conceitos (religiões, grupos políticos, costumes sociais, Deus, etc.) que ressentes.B. Fazuma listada causa oucausasde cada ressentimento.Comcada ressentimentoexaminamosas razões da nossa raiva e como nos afectou. Estas são algumas das perguntas quefazemos anósmesmosparanos ajudarema identificar osnossos sentimentos:• Os meus sentimentos foram feridos devido ao orgulho?• A minha segurança foi de algum modo ameaçada?• Foi ameaçada alguma relação pessoal ou sexual?• A minha ambição pôs‐me em conflito com os outros?C. Comcada ressentimento tentamos ver ondeestivemoserradose qual o nosso papel na situação.Como é que em cada situação reagimos aos nossos sentimentos? Devemos ser o maishonestos possível e descobrir quais os defeitos de carácter que se revelaram nas nossas ações. Estas são algumas das perguntas que fazemos a nós mesmos:• Onde é que a ganância ou uma necessidade de poder se revelou nas minhasacções?• A que extremos é que levei os meus ressentimentos?• De que modo é que manipulei os outros, e porquê?• Como é que agi com egoísmo?• Será que eu julgava que tudo me era devido?• De que maneira é que as expectativas que tinha dos outros me causaramproblemas?• De que modo é que o orgulho e o ego se revelaram nesta situação?• Como é que o medo me motivou?D. As situações em que temos a certeza de que estivemos certos requerem umaobservação e uma discussão mais cuidadosas com o nosso padrinho ou madrinha.Responder a estas perguntas ajuda‐nos a identificar os nossos defeitos de carácter.Devemos fazê‐lo honestamente, sem ignorar nada. Onde os outros nos fizeram mal,devemos compreender que temos de parar de esperar deles a perfeição. Na nossarecuperação não há lugar para a presunção. Se quisermos vir a gozar paz de espírito,devemos aprender a aceitar os outros tal como são. 

II. Relações. Isto irá incluir muito mais do que apenas uma lista de relações sexuais. Tivemos problemas com todas as nossas relações. Muitos dos nossos defeitos de carácter vêm ao de cima e impedem‐nos de terrelações saudáveis e bem sucedidas.

A. Faz uma lista das tuas relações pessoais. Esta inclui as tuas relações com colegas detrabalho, amigos, parentes, familiares, vizinhos, etc. Examina os aspectos positivos enegativos de cada uma, sendo honesto quanto às tuas qualidades e defeitos. Evitaperderes tempo a escrever sobre os males que os outros causaram. Concentramo‐nosnas nossas falhas, e preocupamo‐nos com as áreas onde o egocentrismo e outrosdefeitos de carácter pareçam ter prevalecido. Devemos olhar para dentro de nósmesmos e analisar honestamente os nossos defeitos. Vemos como os nossos defeitosde carácter estão presentes nas nossas relações, como por exemplo a intolerância. Porvezes talvez tenhamos recusado aos outros o privilégio de exprimirem a sua opinião,e esta atitude provocou indiferença, hostilidade, e outros problemas. Tínhamos umanecessidade, gerada pelo medo, de “ter sempre razão”. Éramos desnecessariamentecríticos em relação aos outros; mas quando nos faziam críticas construtivas, éramostudo menos receptivos. Estas são algumas das perguntas que fazemos:• Quando é que fui intolerante para com os outros?• Quando é que me senti superior aos outros?• De que modo é que usei e abusei das outras pessoas?• De que maneiras é que tenteirebaixar outras pessoas?Um outro exemplo é a autopiedade. É um dos modos que utilizamos paramanipular os outros em nosso proveito. Entrávamos numa de autopiedade parapedir aos outros que mudassem ou que se adaptassem às nossas exigências; era umamaneira de evitarmos responsabilidades. Perguntamo‐nos:• Como é que usei a autopiedade para conseguir aquilo que queria?• Menti ou exagerei a verdade? Se sim, porquê?• De que maneiras é que fiz com que os outros se sentissem culpados?• Onde é que, nas minhas relações, prevaleceram a vontade própria e oegocentrismo?• Quando eu não conseguia aquilo que queria, tornava‐‐me receoso e agia desonestamente ou motivado pelo ciúme?• Estava eu tão obcecado comigo próprio que já não tinha perspectiva oucompreensão pelos outros?

B. Faz uma lista dastuasrelaçõessexuais.Esta poderá incluirrelações profundas ou pequenosnamoros, cônjuges, amantes, ou outras. Para cada relação fazemos as seguintesperguntas:• Manipulei e menti para conseguir os meus objectivos?• Preocupei‐me com a outra pessoa?• De que maneira é que mostrei isso?• Sentia‐me superior ou inferior ao meu companheiro(a)?• De que modo é que as minhas dependências me comprometeram?• Quantas vezes disse “sim” quando queria dizer “não”? Porquê?• Acabava sentindo‐me rebaixado, usado, ou abusado?• Achava eu que o sexo me poria bem e resolveria as situações?• As minhas relações acabavam em dor e tristeza para mim e para os outros?• Que tipo de companheiro(a) escolhia para estar comigo na minha doença? Issoainda é verdade hoje?• O sexo era algo que se trocava ou se vendia?• Onde é que fui desonesto nas minhas relações?• Quando é que satisfiz as minhas necessidades sexuais à custa de outra pessoa?Alguns de nós tiveram experiências sexuais que não caiem na categoria de“relações”. Precisamos de escrever sobre estas experiências e os nossos sentimentos,especialmente quando estão envolvidas a vergonha ou a culpa.

C. Com cada relação sobre a qualescreveste nassecções A e B, descreve como ela te afectou etentaidentificar os defeitos de carácter que eram aparentes. Muitos dos nossos defeitos de carácterafectaram as nossas relações pessoais. Como adictos, as nossas emoções atingem porvezes extremos – ultrapassam aquilo que é normal. Escrever o nosso inventárioajuda‐nos a ver onde a nossa adicção teve um papel importante nas nossas relaçõescom pessoas, lugares e coisas.III. Auto‐obsessão e egocentrismo. Uma parte do Quarto Passo consiste em vermos comoestivemos obcecados com nós próprios.Muitos dos nossos sentimentos, e mesmodefeitosdecarácter, têm origem no nosso total egocentrismo. Somos crianças pequenas que nuncachegaram a crescer. Durante a nossa adicção activa, e talvez também em recuperação,concentrámo‐nos continuamente nas nossas exigências, nas nossas necessidades, nos nossosdesejos. Queríamos que tudo nos fosse dado. Não queríamos fazer qualquer esforço oupagar qualquer preço. Descobrimos que exigíamos demasiado a tudo e a todos. Queríamosque as pessoas, os lugares e as coisas nos tornassem felizes e contentes, fosse como fosse.Agora, em recuperação, vemos que só Deus pode conseguirisso.Através do nosso Quarto Passo, temos estado a olhar para situações a fim de vermosaquilo que estava por detrás das nossas acções. É também útil que nos concentremos nossentimentos. É importante aprendermos a identificar os sentimentos que podemos estar aatravessar. Podemos querer procurar palavras no dicionário para começarmos a aprendero que elas querem dizer. É fácil dizermos, “Sinto‐me mal com aquilo”, mas temos de irmais fundo do que isso e compreender que sentimentos são. Eis uma lista de palavras quepodem ajudar‐te a concentrar nos sentimentos: culpa, vergonha, intolerância, auto piedade, ressentimento, raiva, depressão, frustração, confusão, solidão, ansiedade, deslealdade, desespero, fracasso, medo, negação, arrogância e  inadaptação.

A. Examina cada um dos sentimentos acima, bem como outros que tenhas identificado no teuinventário. Daqueles que sentes frequentemente, faz uma lista de várias situações emque eles costumem surgir. Examina as circunstâncias de cada situação. Faz uma listadas razões porque te sentiste assim. Pergunta a ti próprio:• Como é que este sentimento me afectou?• Este sentimento seria adequado à situação?• O meu comportamento foi adequado à situação?• Recordou‐me de alguma coisa?

B. Com cada sentimento e situação, tenta ver onde é que semanifestarama auto‐obsessão eo egocentrismo.Pergunta:• Nesta situação estava a sentir‐me ou a agir com presunção?• Comportei‐me de modo egoísta?• O que é que eu esperava de mim mesmo ou dos outros?• Insisti em que tudo fosse como eu queria ou zanguei‐me quando assim não era?• Como é que reagi aos meus sentimentos?IV. Sentimentos de vergonha e de culpa. Uma das racionalizações mais frequentes queinventamos para não fazer o Quarto Passo são os nossos “mais profundos segredos”.Aquelas situações que nos causaram tantos sentimentos de vergonha e de culpa, as coisaspara as quais nunca de facto olhámos, são quase sempre as mais difíceis de escrever e departilhar. A falta de vontade para encarar essas situações pode constituir um obstáculogrande na nossa recuperação. Ao lidarmos com a vergonha e a culpa, devemos lembrar‐nosde que houve muitas coisas que aconteceram devido à nossa doença. É importantecompreendermos que não somos responsáveis por muitas das coisas que fizemos na nossaadicção, embora sejamos, sim,responsáveis pela nossa recuperação.Até este ponto no teu inventário já deves ter posto a descoberto alguns sentimentos devergonha. É muito importante que continues a explorar aquelas situações, pois estessentimentos estão na basede tantasdas nossas acções.Porisso encorajamos‐te a escrevereso mais honestamente que puderes.Escrevemos sobre situações que nos fazem sentir culpa. Escrevemos também sobresituações onde de facto não tivemos a culpa. Por vezes assumimos a culpa por situaçõesque não foram da nossa responsabilidade. É importante que olhemos também para istocom cuidado, para que possamos identificar os sentimentos e ver como eles ainda podemestar a afectar‐nos hoje.

A. É importante identificarmos também os nossos sentimentos e os nossos defeitos de carácternestassituações. Pergunta a ti próprio:• Há alguma coisa que eu nunca tenha contado a ninguém?• O que é que fazia com que isso constituisse um segredo?• Houve algumas experiências (por exemplo, sexuais, financeiras, familiares ouprofissionais) que tenham criado sentimentos de vergonha ou de culpa, ouconfusão?• Provoquei ou recebi abusos físicos?• Onde é que o medo e o egocentrismo se manifestaram?• Porque é que me agarrei aos sentimentos de culpa e de vergonha?• Como é que reagi quando as coisas não correram como eu esperava?• Culpei‐me a mim próprio pelo comportamento errado de outra pessoa?• Como é que os meus sentimentos de vergonha ede culpa afectaram outras áreas daminha vida?V. Situações em que nos sentimos vítimas. Ao longo das nossas vidas podemos nos ter visto a nós mesmos como vítimas. Podemos nos ter sentido assim por várias razões. Por exemplo,quando crianças, alguns de nós fomos abusados física, mental e/ou emocionalmente. Fomosvítimas no verdadeiro sentido da palavra, pois não tínhamos poder para nos protegermosde ser magoados. Infelizmente, e por um motivo qualquer, muitos de nós desenvolvemosum hábito de reagir constantemente à vida e ao mundo como se fossemos sempre vítimas.Querermos sentir‐nos desamparados, querermos ser salvos, e não tomarmos qualquerresponsabilidade por nós mesmos, são aspectos nítidos da nossa doença. Culpámos ouressentimos os outros por todos os nossos problemas, incapazes de vermos o nosso papelnesses mesmos problemas. É um ciclo que se alimenta a si próprio. Encontrámo‐nos, vezapós vez, em situações nas quais nos tornámos vítimas ou atormentados.Ao revermos o nosso passado, vimos que temos de olhar para as situações em quepossamos ter iniciado ou sido os receptores de relações abusivas. Sofremos de uma doençaautodestrutiva que faz aumentar este tipo de problemas.Onosso desejo de recuperaçãopodetornar particularmente importante a necessidade de os inventariar com algum pormenor.Uma honesta avaliação destas situações dá‐nos uma nova perspectiva e ajuda‐nos a ver como nos colocávamos a nós mesmos como vítimas. Através deste processo,temos a oportunidade de nos vermos livres dos nossos pensamentos e das nossas reações de vítima.

A. Respondemos a perguntas como estas:• Senti‐me vítima em alguma das situações que já descrevi (ou noutras que nãodescrevi)?• Que expectativas tive dos meus pais?• Ainda tenho hoje essas expectativas?• Que comportamento tinha eu em criança, quando não conseguia o que queria?• Como é que reajo hoje, quando não tenho aquilo que quero?• De que modo ajo hoje como vítima?• Que sentimentos tenho nessas situações?• Qual é a relação entre a minha auto‐estima e essas situações?• Qual é a minha responsabilidade por este padrão se manter?VI. Medo. Tendo examinado com cuidado o nosso egocentrismo, os nossos ressentimentos, e as nossas relações, vemos que o medo, a dúvida e a insegurança têm estado no centro de muito do nosso comportamento. Queríamos aquilo que queríamos, quando o queríamos, eassustava‐nos pensar que talvez não pudéssemos tê‐lo. A verdade é que receávamos quenão cuidassem de nós. Muitos dos nossos defeitos e das suas manifestações foram simplesmente tentativas desajeitadas para conseguirmos aquilo que queríamos e cuidarmosde nós mesmos. Se virmos bem, descobriremos que temos medo de quase tudo. Os nossosreceios têm nos impedido de fazermos aquilo que queríamos fazer, e de nos tornarmos naspessoas que queríamos ser.

A. Fazemos uma lista de todos osnossosmedos.Estes incluem:medododesconhecido,medodador, medo da rejeição, medo de sermos abandonados, medo da responsabilidade, medodo compromisso, medo de crescer, e medo do sucesso e/ou do fracasso. Receávamosnunca vir a ter o suficiente daquilo que queríamos, ou perder aquilo que tínhamos.

B. Respondemos a estas perguntas sobre os nossos medos:• Porque terei este medo?• Como é que este medo me paralisa ou me impede de mudar?• Terei medo porque sinto que só posso depender de mim mesmo?• Como é que reajo a este medo?• Como é que este medo se manifesta hoje na minha vida?VII. Qualidades. Examinámos as nossas acções, os nossos sentimentos, e pusemos a descoberto anatureza exacta das nossas falhas. É agora altura de olharmos para as nossas qualidades.Lembra‐te de que um exame de nós mesmos deverá incluir as qualidades de carácter,bem como os defeitos. Ao olharmos para o nosso comportamento, é importante vermos deque modo queremos mudar. As nossas qualidades dão‐nos os ideais pelos quais lutar.Adquirimos humildade quando reconhecemos honestamente que somos seres humanos,nem completamente bons, nem completamente maus. Somos feitos de qualidades e dedefeitos, e há sempre possibilidades de melhorar. Se não conseguirmos encontrar coisasboas em nós mesmos, precisamos de procurar um pouco melhor. Se formos minuciosos,decerto descobriremos algumas qualidades. Esta lista poderá ajudar‐te a identificaresalgumas qualidades em ti:boa‐vontade ,fé ,honestidade, mente aberta, consciência de Deus, paciência, aceitação, acção positiva, coragem, partilha, generosidade, confiança, bondade, carinho, perdão, tolerância, estar limpo, amor e gratidão.

Estas qualidades fazem‐nos ver que não somos as “pessoas más” que julgávamos ser, edão‐nos a coragem e a força para continuar. Estamos limpos, temos a boa vontade paramudar e para crescer, e estamos a tomar acções positivas pela nossa recuperação.Colocámos a nossa vontade e as nossas vidas ao cuidado de um Poder superior a nósmesmos, e estamos a aprender a viver segundo um novo conjunto de princípios. Aoprosseguirmos com os passos, modificamos as atitudes e os comportamentos que nãoresultaram para nós ou para a nossa paz de espírito. Estamos a tentar construir vidasfelizes em recuperação e o Quarto Passo é uma clara tentativa nesse sentido.A. Escreve um parágrafo sobre cada uma das qualidades listadas acima. Tenta pensar numasituação do teu passado ou do teu presente em que essas qualidades foram aparentes.Faz uma lista de exemplos de quando praticaste essas qualidades na tua vida hoje. Étão importante nesta secção como nas outras não deixares nada de fora. Se tiveresdificuldade em identificar determinada qualidade em ti, sugerimos que fales nissocom o teu padrinho ou madrinha. Podemos também falar nisso com outros membrosque respeitemos, ou no nosso grupo.A capacidade para identificar o bem nos outros é em si uma qualidade de carácter.É agora altura de usarmos essa qualidade em nosso proveito; sermos tão bons paranós mesmos como seríamos para os outros. Descobrimos que muitas qualidadescomeçam apenas como o potencial para o serem, e só se transformam em qualidadesatravés da prática.Quais são os resultados de se fazer um minucioso e destemido inventário moral de nósmesmos? O nosso Quarto Passo ajuda a livrarmo‐nos das nossas ilusões e falsas percepções da vida, da realidade e de nós mesmos. O mundo de fantasia em que vivíamos durante a nossa adicção activa desaparece, à medida que começamos a ver e a aceitar a vida tal como ela é.Agora que pusemos os nossos segredos a descoberto, é altura de nos desligarmos deles. Aocontinuarmos a praticar os passos, os defeitos de carácter que destruiram a nossa paz de espírito começam a mudar. Vermos a natureza exata das nossas falhas mostra‐nos como somos de facto impotentes. Vemos como é fútil tentarmos viver à custa do nosso próprio poder. Ao praticarmos os passos, começamos a acreditar num Poder superior a nós mesmos. A honestidade do Quarto Passo reafirma o nosso Terceiro Passo, pois vemos, à luz da realidade, o tremendo alívio que é confiar num Poder superior a nós mesmos. Ao praticarmos os princípios espirituais da honestidade, da mente aberta e da boa‐vontade, descobrimos que o amor, a aceitação, a tolerância, a fé, o respeito por nós próprios, e a confiança, são possíveis. Quando vivemos os Doze Passos, começamos a sentir‐nos livres do passado, livres para sermos nós mesmos, e aconhecer quem realmente somos. Este processo é curativo – um grande passo em direção à liberdade. É com este espírito que nos preparamos para fazer o Quinto Passo, partilhar o nosso inventário com Deus e com outro ser humano.

 Os Doze Passos de Narcóticos Anónimos

1. Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que tínhamos perdido odomínio sobre as nossas vidas.2. Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver‐nos à sanidade.3. Decidimos entregar a nossa vontade e as nossas vidas aos cuidados de Deus na forma em que o concebíamos.4. Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a naturezaexacta das nossas falhas.6. Prontificámo‐nos inteiramente a deixar queDeus removesse todos essesdefeitos de carácter.7. Humildemente rogámos a Ele que nos livrasse das nossas imperfeições.8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e dispusemo‐nos areparar os danos a elas causados.9. Fizemos reparações directas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvoquando fazê‐las significasse prejudicar essas pessoas ou outras.10. Continuámos a fazer um inventário pessoal e quando estávamos errados admitimo‐loprontamente.11. Procurámos, através da prece e da meditação, melhorar o nosso contato consciente com Deus na forma em que o concebíamos, rogando apenas pelo conhecimento da Sua vontade em relação a nós e pelas forças para realizar essa vontade.12. Tendo experimentado um despertar espiritual graças a estes passos, procurámos transmitir esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Os Doze Passos são reproduzidos com autorização de AA World Services, Inc.




Tradução de literatura aprovada pela Irmandade de NA.
Copyright © 1994 by
Narcotics AnonymousWorld Services,Inc.
Todos os direitos reservados

segunda-feira, 24 de junho de 2013

É doutor, mas mantenha o respeito!




EM 1997, um juiz manda prender o Planet Hemp por apologia ao uso de drogas. Em 2003, o mesmo juiz é acusado de receber R$ 40 mil para soltar um traficante. Dez anos, depois, enfim, ele é condenado. Punição? Ganhar seu salário de R$ 28 mil inteirinho, até morrer, para nunca mais trabalhar.

Esses casos raramente se tornam públicos, ou investigados e punidos. Ainda assim não chega a ser surpresa a notícia de que um juiz recebeu propina. Muito menos de traficantes. No Almanaque, por exemplo, conto o caso de um juiz e de um desembargador federal condenados por associação com o tráfico – no caso com Fernando Beira-mar.




“Gente hipócrita”

Mas a notícia dessa condenação é bem informativa. Mostra a hipocrisia reinante no discurso da guerra às drogas.

Na porta da frente, o juiz paga de durão impedindo uma banda de fazer shows sob a acusação de apologia. Uau. Que corajoso. Na “porta dos fundos”, ele pega uma graninha para soltar um traficante. Que fácil.

“Legalize Já”

Aplausos musicais à parte, a turma do Planet Hemp foi um dos primeiros artistas do Brasil a ter a coragem de levantar a bandeira o que hoje todo mundo pelo menos comenta: legalizar a maconha.

Regulando o comércio da erva, tiraríamos o lucro da venda da droga ilícita mais consumida no Brasil (e no mundo) da mão dos traficantes. A bandidagem teria muito menos grana para comprar fuzil e corromper juízes como vossa excelência o juiz José Barreto Pinheiro. Esse é o nome do juiz traficante.

Justiça?

Outra informação que vale nota é a boa e velha impunidade que reina contra os peixes grandes neste país. Repara:

A) Se o cara pega três saquinhos de R$ 5 de maconha na boca de fumo pra vender no asfalto, ele é encarcerado como traficante e pega de 5 anos de cadeia.

B) Se o juiz em quem deveríamos confiar até o fim recebe 40 mil para soltar um chefão do tráfico que fornece saquinhos de maconha para centenas de bocas, seu castigo é parar de trabalhar para ganhar 28 mil por mês.

Que vergonha.

Ele tem uma responsabilidade muito maior pelo controle de crimes, deveria ser punido com muito mais rigor. Mas comete um crime comparado a hediondo, aliado a um peixe grande, e não dá nada!

O que destrói esse país não é o uso de drogas, é a corrupção e a impunidade.






Pra fechar esse “post protesto”, replico lá embaixo a íntegra da mensagem que o próprio Planet Hemp publicou no Facebook, sob o título de “Retrato da hipocrisia e falso moralismo da sociedade brasileira”. Falou e disse.
E recomendo a letra e o vídeo da canção (muito esclarecedora) que o juiz vencedor do Prêmio Lobo em Pele de Cordeiro do dia usou como desculpa para colocar os caras na cadeia. O juiz foi aposentado, essa música vai ficar pra sempre.

Aplausos musicais adentro, essa música está no álbum “Usuário”, certamente um dos melhores lançados por aqui nos anos 1990.





“LEGALIZE JÁ”

Planet Hemp

Digo foda-se as leis e todas regras
Eu não me agrego a nenhuma delas
Me chamam de marginal só por fumar minha erva
Porque isso tanto os interessa
Já está provado cientificamente
O verdadeiro poder , que ela age sobre a mente
Querem nos limitar de ir mais além
É muito fácil criticar sem se informar
Se informe antes de falar e legalize ganja

Legalize já, legalize já
Porque uma erva natural não pode te prejudicar

O álcool mata bancado pelo código penal
Onde quem fuma maconha é que é marginal
E por que não legalizar ? e por que não legalizar ?
Estão ganhando dinheiro e vendo o povo se matar
Tendo que viver escondido no submundo
Tratado como pilantra, safado, vagabundo
Só por fumar uma erva fumada em todo mundo
É mais que seguro proibir que é um absurdo
Aí provoca um tráfico que te mata em um segundo
A polícia de um lado e o usuário do outro
Eles vivem numa boa e o povo no esgoto
E se diga não às drogas, mas saiba o que está dizendo
Eles põe campanha na tevê e por trás vão te fudendo
Este é o planet hemp alertando pro chegado
Pra você tomar cuidado com os porcos fardados
Não falo por falar eu procuro me informar
É por isso que eu digo legalize ganja
São dez mil anos de uso
sem se quer uma morte
Se me chamar de otario
fala se se fode


O depoimento do Planet Hemp postado no Facebook, quinta-feira, 23/5/13.

“Retrato da hipocrisia e falso moralismo da sociedade brasileira.

Hoje o Tribunal de Justiça aposentou o juiz Vilmar José Barreto Pinheiro, responsável pela prisão do Planet Hemp em Brasília em 1997. Motivo: o juiz recebia propina de traficantes.

Se não uma ironia, ao menos uma escancarada safadeza do poder judiciário brasileiro.

Até quando a sociedade dará ouvidos a discursos recheados de interesses e financiados não só pela corrupção, mas pela falta de esclarecimento geral da população?

Bater no peito e levantar bandeiras contra as drogas é fácil, ainda mais com o auxílio da mídia atenta em manipular e instigar o senso comum.

Desintoxique-se! E, ao falar isso, não estamos nos referindo a nenhum tipo de substância. Desintoxique a sua percepção!

Preste atenção em quem realmente diz ser a voz da justiça desse país, condenando a liberdade de expressão de forma atroz e reflita se é essa a representação que você realmente aceita para si.”